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Em mim

A delinquência no poder é sempre lamentável.

Ainda bem que o eleitorado brasileiro decidiu voltar para a democracia.

A ignorância é sempre lamentável.

Ignorante não tem pior do que aquele que acha que sabe de tudo.

Saber o que ignoro, é algo que preciso aprender constantemente

O presente é passado consolidado

É uma reunião de tempo

A menos que eu esteja atento

Poderei estar perdendo o único tempo que tenho

Habitar os limites

Esta é a tarefa que me toca

Ninguém gosta de limites

Mas sem limites hão há humanidade

Teremos aprendido a lição?

Na idade que tenho

Habitar os limites é uma aventura cotidiana

Redescobrir o que posso e o que não posso

Não para me fechar numa auto-lamentação

Mas, ao contrário

Para potenciar ao máximo o fato de estar vivo

A minha história me abraça e me envolve

Me enraizei no tempo e no espaço

Em mim.

Por que escrever? Para que escrever? Para que viver? Por que viver?

As perguntas abrem um espaço. Abre-se uma possibilidade. Nos dias de hoje age-se muitas vezes irrefletidamente. Alguém dá um comando e eu reajo. Aceito e acato. Ajo sem saber por que nem para que. Assim, a ação não é propriamente minha, muitas vezes.

A minha experiência de vida me ensinou que o que não escrevo se desvanece, desaparece, é como se não tivesse existido. Assim, escrevo constantemente. Desta maneira vou me construindo.

Escrever é ir pondo tijolo por tijolo, construindo espaços, fazendo a vida acontecer. É como desenhar, em certo sentido. Vou fazendo a minha cara. Faço as minhas raízes. Determino se o sol irá entrar ou não na minha casa.

O que se verifica muito frequentemente nos dias de hoje, é uma semi-existência, uma quase inexistência, um viver fronteiriço, que não pode se dizer que pertença propriamente ao sujeito. A pessoa está, mas não lhe pertencem os seus comandos. A rigor, ela não se pertence. Isto leva a uma irresponsabilidade, a uma desistência, um sem-sentido.

É de uma importância crucial que se volte à educação, entendida como o processo do vir a ser pessoa, um processo contínuo. Educação em casa, na família, e também na escola, no trabalho, na rua, na universidade, na cidade, onde for.

Sem educação libertadora, não há humanidade. Isto implica em consciência. E aqui chegamos às perguntas iniciais deste escrito. Escrevemos para viver. Para saber quem somos. Para encontrar e fazer sentidos. Para nos comunicar com o mundo em volta: gente e ambiente. Simples assim.

Mi naturaleza es mi fortaleza.

¿Cómo no sería feliz si soy, si siento?

Si estoy aquí, no puedo tener miedo

Si estoy conmigo, no puedo tener miedo.

Estoy conmigo

Estoy aquí.

Yo me siento, me da placer

Me da placer caminar, sentir mis ropas sobre el cuerpo

¿Cómo no sería feliz si me siento?

No hay nada de malo en mi manera de ser

Al contrario, esa es mi fortaleza

No podría ser de otra manera ni yo querría que fuera diferente

Siendo así, me siento bien, soy feliz.

Mis sueños, mis deseos, mis reacciones, mis pensamientos, mi manera de caminar, mi voz, todo es perfecto

Mis sensaciones, mi manera de mirar, la manera como me relaciono o dejo de hacerlo, todo es exactamente como debería ser.

Todas estas cosas son observaciones sobre la práctica. Aprendizajes que voy haciendo y comprobando.

Yo no puedo (ni quiero, ¡Dios me libre!) ser no yo. Sólo puedo ser yo. Y ser yo me gusta, me hace sentir bien.

Poetar, hacer lo que se me de la gana, todo está bien. Yo soy dueño de mi tiempo. Todos los instantes son míos.

Estar presente significa no tener rencores, odios, rabias, broncas, frustraciones, ni estar tampoco pendiente de lo que pueda llegar a suceder.

La palabra suceder es bien clara. Es lo que viene. Lo que viene no está ahora. Está por venir.

Por supuesto que hago mis planes. Tengo mis proyectos. No son muchos, pero son suficientes. Son la direción de mi vivir. Es adónde voy. Es lo que soy. No tengo proyectos disociados de mi ser. Soy mis proyectos, mi dirección, mi rumbo.

Son lo que hago. Son lo que soy. Son los sueños que tuve y tengo. No soy algo diferente de lo que fui ni soy.

Ilustración: “Flores después de la lluvia”

A memória é a possibilidade da sobrevivência

“Somente estão perdidas as causas que abandonamos.”

Esta frase é de uma mãe de Plaza de Mayo.

Essas mulheres não desistiram.

Semana a semana, durante a feroz ditadura que assolou a Argentina, exigiam informações sobre o destino dos seus parentes desaparecidos.

Algumas delas também despareceram.

Lembrar do poder da persistência, é importante agora e sempre

A união coletiva.

A força da comunidade.

No Brasil tentaram apagar a memória da ditadura.

A memória de Lula e do PT.

A memória das mães que lutam para evitar que os seus filhos e filhas sejam assassinados e assassinadas nas favelas.

A memória, no entanto, é a possibilidade da sobrevivência.

Isto é necessário compreender.

Não se esqueça. Preste atenção.

Consciência é isto: vida pautada na atenção ao presente e ao passado.

Setembro

Setembro, mês da primavera

Sinto?

Permito-me sentir?

Sinto os pássaros a cantar?

O vento a assoviar?

 

Gostaria de partilhar aqui algumas das boas e belas lembranças desta semana:

  • Ray Bradbury, no seu livro Zen en el arte de escribir, nos recorda algumas das razões pelas quais escrevemos: “Se a arte não nos salva, como desejaríamos, das guerras, das privações, da inveja, da cobiça, da velhice nem da morte, pode em troca nos revitalizar em meio a tudo”. (p. 10)

Escrever é uma forma de sobrevivência. Lembramos de que estamos vivos, e ganhamos o direito de viver.

Zen en el arte de escribir (Barcelona: Minotauro, 1995)

É uma boa razão para escrever.

  • Diáspora (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte)

Escutei vi este vídeo como parte das atividades on line da Terapia Comunitária Integrativa:

https://www.youtube.com/watch?v=neR2vTRrs4M

Ajuda a olhar para nós mesmos, nós mesmas.

Convidamos os leitoras e leitores a partilharem as suas experiências. O que fizeram para sobreviver? Como conseguiram chegar até aqui? Como geraram força resiliente a partir das adversidades?