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Fidel Castro: como descobrir uma nova Sierra Maestra?

Novembro de 2016. Morreu Fidel Castro, liderança fundamental no processo histórico de construção do socialismo. Morreu mas deixou como lembrança, juntamente com a memória de Che Guevara e Camilo Cienfuegos, a certeza de que é possível, como já fizera Lenin no início do século XX, conquistar uma nova e definitiva vida…

Novembro de 2016. Morreu Fidel Castro, liderança fundamental no processo histórico de construção do socialismo. Morreu mas deixou como lembrança, juntamente com a memória de Che Guevara e Camilo Cienfuegos, a certeza de que é possível, como já fizera Lenin no início do século XX, conquistar uma nova e definitiva vida. Mas como, diante do aprofundamento do capitalismo, descobrir em cada um e no coletivo da realidade uma nova Sierra Maestra?
A rigor, não faltam exemplos, principalmente nesta aguerrida terra brasileira, vítima há muito tempo do destempero da emburrecida mas insistentemente perversa e golpista classe dominante.
Bom lembrar que desde os anos 1920 a revolução burguesa no Brasil, assim compreendida a de 1930, não se deu, como disseram, como pareceu a muitos e importantes intelectuais da esquerda, contra a classe que estava no poder. Não. Deu-se de forma preventiva contra a classe trabalhadora já em ascensão e que ameaçava, supunham eles, os interesses acumulados pelos fazendeiros escravistas durante um colonialismo mal acabado.
Já pairava nos ares da incipiente cultura política da nação a proposta social e econômica do comunismo, cujo partido, fundado em 1922 sob a inspiração do Comintern da União Soviética, já criara, para angústia da classe pretensamente dominante, o bem pensado e atuante BOC – Bloco Operário e Camponês, cuja atividade política já imprensava contra a parede ideológica da dominação, com a candidatura do marmorista Minervino de Oliveira, um negro, à Presidência da República, os herdeiros do escravismo, do homem e da terra.
Depois, de golpe em golpe, no fundo a evidência de sua fragilidade política, social e econômica, com destaque para o golpe empresarial-militar de 1964. E, enfim, após um frágil retorno à frágil democracia, este golpe de novo estilo, ancorado no Judiciário com apoio no Legislativo, golpe maestro previsto e anunciado pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos na Gramática do Tempo, diferente daqueles do velho golpismo que não dispensava o apoio militar.
Agora não. Bastou-lhe o aculturamento da burguesia. Por que e para que apoio militar se juízes, desembargadores e ministros aprenderam todos nos livros e nas universidades da burguesia? E deputados e senadores? Todos formados no culto da burguesia. Desta vez quem gritou o “… vambora meu povo…” foram os da classe dominante…
Mas estão aí os movimentos populares, o MST, o MTST, o MNLM, o povo está chegando de novo às ruas. Que a lembrança de Lenin, a lembrança de Che, de Camilo Cienfuegos e, agora, a memória de Fidel Castro, sob as bênçãos deste inesperado e muito bem-vindo papa Francisco, lhes dê inspiração e força.
Fidel Castro! Presente…

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