Xingamento e Xenofobia

Imagem: Google

Xavier mora no Sul e odeia o Nordeste,
acredita que a Região não tem nadinha que preste.
Critica o linguajar, a cultura, o sotaque.
Normalmente sua fala é de agressão e ataque.
Acha que o povo é feio, inculto e sem requinte,
que não trabalha e que é só um bando de pedinte.

Seu grande orgulho na vida é ter sangue europeu,
dizendo que é sangue nobre, e não de qualquer plebeu.
E mesmo miscigenado com sangue indígena e negro,
acredita ser só branco, ariano, sem ter erro.
Por motivo de trabalho e circunstâncias da vida,
foi morar lá em Xanten, uma cidade alemã.
Totalmente deslumbrado, achando-se alemão,
pensava que, finalmente, encontrara o povo irmão.

Sente-se desconfortável ao ser chamado “latino”
e recorda o que dizia com o povo nordestino;
sente-se injustiçado, tratado como indolente,
e começou a sentir o que um nordestino sente.
Ao rirem da sua cara por causa do linguajar,
sente-se muito frustrado e pensa logo em voltar.

Ao ser considerado, apenas, do país das mulatas, futebol e carnaval,
sente tristeza profunda, na verdade, fica mal.
Bastante discriminado, sente-se desvalorizado, chora sua triste sina.
Vai tentar a vida em Xàtiva, cidade histórica espanhola,
de um povo parecido por ter origem latina.
Não suportando também mais um ano ali ficar, decide que quer voltar.
Advinha, minha gente, onde ele vem parar?…

Primeiro vem a Xexéu, cidade pernambucana,
situada na divisa com a região alagoana;
conhecendo mais de perto o povo e o lugar, começa a se encantar.
Por incrível que pareça, começa mesmo a se encontrar!
Hoje mora em Xique-Xique, interior da Bahia,
pense num homem feliz, pense numa alegria!

PerYaçu: Educadora-Peregrina da Esperança

Bananeiras-PB: 18 de setembro de 2026

Vera Periassu (PerYaçu) é Educadora Popular, professora aposentada da UFPB (Campus III). Escreve Poesias, Contos, Crônicas e também Cordel.

E-mail: veraperiassu@gmail.com

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