Quimeras

Museu das Ilusões

Um desassossego,
grávido de perguntas,
me empurra para baixo.
De repente, em sobressalto,
ergo-me —
como quem ainda insiste em altura.
Lá fora, a vida grita:
“Vem,
antes que passe.”
A manhã escorre,
a tarde se alonga,
a noite cai —
e eu não atendo ao chamado.
Foi o comodismo que me reteve
ou o medo que me fez recuar?
Há um mundo pulsando lá fora,
e eu, recolhida,
habito o que resta de mim.
Estarei me rendendo,
deixando ao abandono minhas quimeras —
essas que um dia vesti de sonho —
ou será apenas o tempo,
silencioso,
me ensinando a amadurecer?

Ana Amélia Guimarães
meliaguima@gmail.com

Deixe uma resposta