Quimeras

Museu das Ilusões

Um desassossego,
grávido de perguntas,
me empurra para baixo.
De repente, em sobressalto,
ergo-me —
como quem ainda insiste em altura.
Lá fora, a vida grita:
“Vem,
antes que passe.”
A manhã escorre,
a tarde se alonga,
a noite cai —
e eu não atendo ao chamado.
Foi o comodismo que me reteve
ou o medo que me fez recuar?
Há um mundo pulsando lá fora,
e eu, recolhida,
habito o que resta de mim.
Estarei me rendendo,
deixando ao abandono minhas quimeras —
essas que um dia vesti de sonho —
ou será apenas o tempo,
silencioso,
me ensinando a amadurecer?

Ana Amélia Guimarães
meliaguima@gmail.com

3 comentários sobre “Quimeras”

  1. Muita gente confunde quimeras com sonhos, comodismo com amadurecimento. Belo e reflexivo trabalho. Parabéns, Ana Amélia.

  2. Ana Amélia,sua escrita tem o peso da verdade e a leveza da boa poesia. Há uma melancolia elegante nos seus versos que lembra grandes nomes da literatura introspectiva. É um convite à reflexão que ecoa muito depois da leitura. Parabéns pela sensibilidade.

  3. “Onde termina o medo e começa o amadurecimento? Este poema toca na ferida do ‘chamado da vida’ que muitas vezes ignoramos para habitar nosso silêncio interno. Uma leitura sobre a pressa dos dias e a persistência dos nossos sonhos.”Parabéns querida Ana Amélia , sua escrita estat repleta de sensibilidades à flor da pele !

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