Escritor afirma que os bilionários da tecnologia deixaram de atuar apenas nos bastidores e agora defendem Estados capturados por CEOs, eficiência autoritária e desprezo pela democracia.
C&T
Vivemos na era das notificações incessantes, das mensagens instantâneas e da ilusão de que nunca estaremos sozinhos. Em tese, a tecnologia encurtou distâncias, democratizou o acesso à informação e ampliou as possibilidades de encontro.
Os gigantes da tecnologia no topo da economia moderna não inventaram um novo modo de produção: são simplesmente empresas capitalistas no sentido clássico, ou seja, que exploraram os seus trabalhadores.
Projeto que universalizou o acesso à energia foi elogiado internacionalmente e inspirou iniciativas semelhantes em várias partes do mundo.
Sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central começou a ser desenhado em 2014, atravessou três governos e hoje movimenta trilhões de reais.
Depois de passar do sertão à fábrica e à luta por direitos, país mergulhou na era do trabalho fragmentado e dos conflitos sem projeto. Rendeu-se à agroexportação e ao algoritmo.
Enquanto se rejeita uma estatal brasileira no setor, avança a atuação de mineradoras estrangeiras apoiadas por governos de outros países.
Do mundo virtual à vida real, até que enfim, meu Deus! Foi isto que pensei hoje pela manhã ao ver minha vizinha e amiga de infância, Marinete, varrendo a calçada depois de tanto tempo.
Plataformas digitais ampliam sua incidência política no mundo, enquanto países debatem a regulamentação do setor e planos de soberania tecnológica.









