
Vatican News
Por Miguel Lucena
Havia homens esquecidos nos leitos,
corpos ardendo em febre,
olhos pedindo socorro
onde quase ninguém queria olhar.
São Camilo olhou.
Viu o pobre,
o ferido,
o abandonado,
o homem reduzido à doença
e devolveu-lhe o nome,
a dignidade,
a condição de irmão.
Não carregava ouro nas mãos,
mas água,
pano limpo,
remédio,
oração
e presença.
Entrava onde muitos recuavam,
ficava onde outros fugiam,
abraçava a dor
como quem reconhece nela
um pedaço da própria humanidade.
Fez dos hospitais
territórios de compaixão.
Fez do cuidado
uma forma de justiça.
Fez da fé
não um discurso distante,
mas um gesto curvado
sobre o corpo de quem sofria.
E ensinou que nenhum homem
é pequeno demais
para merecer amparo,
nenhuma mulher é pobre demais
para ser tratada com respeito,
nenhuma doença apaga
a grandeza de uma vida.
São Camilo caminhou
entre os desprotegidos
como quem procurava Deus
nos lugares onde o mundo
já não queria entrar.
E talvez tenha sido esse
o seu maior milagre:
mostrar que a mão
que toca uma ferida
com amor
pode também
curar a solidão.
Homenagem aos Padres Camilianos, Ministro dos Enfermos
