
Pataquara, era um pássaro do Seu Ziquezira.
Ninguém sabia direito que pássaro era,
Se papagaio, cacatua, arara.
Mas o bicho tinha um colorido especial
Meio verde, vermelho, meio branco
Às vezes rosado, com penacho azul sem igual.
Uma mistura de um cruzamento meio desengonçado.
Bonito, engraçado e conversava muito o danado.
Todos que passavam pela calçada do Seu Ziquezira
Pataquara falava alguma coisa e até dava risada;
Às vezes cantava e também assoviava.
Ninguém entendia como o pássaro falava tanto.
Tudo que ouvia, repetia.
Diziam que aprendeu com Mathias,
O sobrinho da Zulica, vizinha do Seu Ziquezira.
Eita menino danado!
Morava lá perto e enchia o saco do bicho.
Quando a D. Fafá passava vendendo quebra-queixo,
Pataquara gritava – é do bão, mas não quebra-queixo não.
E pra menina bonitinha que Mathias gostava,
Falava – vem cá, que Mathias quer te namorar.
Algumas pessoas ficavam com raiva porque ele fazia chacota.
Uns diziam que iam dar fim em Pataquara.
Mas o tempo foi passando e o bichinho envelhecendo.
Um dia calou para sempre e povo triste ficou.
Mas restou esta história para eternizar Pataquara
Não esqueçam não, era um pássaro sem igual,
Pataquara deixou saudades e acabou se tornando imortal.
Ana Amélia Guimarães
meliaguima@gmail.com

Parabéns!!!! Lindo lindo! 🥰💚
Pataquara virou histórias contadas de quem o guardou na memória. Seus feitos lhe renderam essa ‘imortalidade’ de un proseador colorido. Parabéns, Ana Amélia.
Que texto maravilhoso e cheio de vida! É impossível ler a história do Pataquara e não terminar com um sorriso no rosto e um aperto de saudade no coração.Uma verdadeira obra de arte da narrativa popular, rica em rima, humor e, acima de tudo, muita humanidade. Parabéns pela criação deste belíssimo registro!