
À Thereza Regina Camargo Maia, por ocasião do lançamento de seu livro “Folclore e Religião em Paraty”.
Cihy Filippo
Guaratinguetá
Julho, 1974.
Vês?
É o amanhecer!
O soberano astro
num indescritível espetáculo,
engalanando toda a natureza,
veste de graça e beleza
as florinhas mais singelas;
empresta roupagens as mais belas,
às densas matas, lá… da serra,
… e toda a cidade desperta,
para Ti, Senhor!
Como guardiões da cidade…
conservando soberana majestade,
os casarões de estilo colonial,
ostentam seu manto real,
tecido de neblina…
… guarnecido em purpurina;
portais em azul debruados,
sustentam lampiões em candelabros,
… que há séculos vivem a gritar:
– Sempre… para Ti, o nosso brilhar…
Às igrejas e antigas capelas,
vão os fiéis e graciosas donzelas,
fazer preces e orar…
para Ti, num doce cantar!
Nas praias de Iperoig,
Anchieta compôs poemas à Maria…
Para Ti, Senhor…
A natureza, é toda em Teu louvor!
Ouves?
É o eco sonoro das ondas,
que a todo instante, todo dia,
murmuram em suaves melodias,
… “sou para Ti”…
Agora,
são vagalhões, que se quebram
contra pedras e rochedos,
numa eterna sinfonia orquestral…
– “Existo! Vivo! Sou para Ti!..”
É Paraty, Senhor!
Proclamando-Te – Criador!
* Maria Aparecida Filippo Lopes, ou Cihy Filippo (★ 1924 – † 2004), nasceu em Guaratinguetá (SP). Interna de escola salesiana, fez magistério e curso superior de psicologia. Pianista e poetisa, também teve uma atuação destacada em sua comunidade como professora primária, de pintura e bibliotecária, além de ter sido primeira ministra extraordinária da comunhão na cidade. Casou-se com Manoel Antônio Lopes e foi mãe de oito filhos – Marco Antônio, Márcia Maria, Maria Teresa, Pedro Luiz, Marco Aurélio, Antônio Augusto, Otávio Augusto e Marcelo Augusto.
