Mensagem do Maestro

Imagem: Dreamstime

Cihy Filippo
Caraguatatuba
agosto, 1974.

 

… já vai alta a madrugada,
e não consigo dormir!
Sempre fui dada, a pressentir…
algo estranho está para vir…

E… mais um pouco de tempo;
Mamães, você está acordada?
.. já vai alta a madrugada…
lá fora na rua, não há mais ninguém,
esse barulho que escuto, de onde vem?
Esse assobio, no espaço escuro, é o vento?

Sim, filho! Um vento forte
em direção ao norte
que ameaça de morte
o que navegar é a sorte,
pois enfurece o mar,
para o barco sossobrar,
e o pobre pescador naufragar!
Dorme, filho, comece a rezar…

Oh! Deus!
Nunca vi antes, tanta fúria no mar!
– É protesto, Senhor?
Começo a cismar…
Oh! Não! Sois oceano de amor!
Devolvei ao sul, quietude e harmonia,
e ao mar azul, a brisa que acaricia…
Soprai, sempre do norte,
salvando os homens da morte!

E…
Que sinfonia é essa?
Parece uma orquestra!
Harpejos em ais… ressoam no ar…
acordes graves, ribombam do mar…
lamentos infindos, no violino do espaço,
falam à minh’alma, agora em pedaços,
que… mais outro pouco de tempo…
e será chegado o momento!

Oh! meu Deus!
E não cessa a orquestra!
Serão os pesares meus
o tema da melodia?
Então, a razão da sinfonia…
É minh’alma, em agonia!

Agora!..
todos os instrumentos,
desencadeiam tempestades de sons…
Maestro!
Governai a orquestra!
É demais!
Talvez, Moisés no Sinai,
tivesse vivido momentos iguais…
… – E esses estrondos???
= São acordes finais!!!
“Deo gratias!”
Maestro!
– Foi protesto?
= De amor!

Acordada eu sonho?
É solene o momento!..
Etérea visão… atônita contemplo!
Pálida estrela, suspensa no ar,
não cintila… mas, fala!
Há 2.000 anos, de pastores guia,
até Jesus, José e Maria,
hoje, detêm-se, no azul do espaço,
para a – Mensagem do Maestro!

Oh! Mensageira Divina!
Tu! Estrela Matutina!
Dos Céus não desças nunca mais;
no mar, não te afundes jamais!
Detém-te! Espera o Sol nascer…
para em seus braços adormecer…
Despertarás, na hora crepuscular,
para novamente adormecer,
após, outras mensagens levar.….

E… calmou-se o tempo…
O mar… e também o vento!
E a madrugada,
pelos ventos do sul soprada,
nas vagas do mar afogada,
levou consigo a minha dor!
Em insondável abismo… a sepultou,
onde o sobrenatural a mistificou,
ressurgindo-se, em amor!

E… calmou-se o tempo…
O mar… e também o vento!
Calaram-se os instrumentos!
Cessou a orquestra!
Um murmúrio apenas… suave alento…
e um eco sonoro… de longínquas plagas,
parece o arfar das asas diáfanas
de etéreas criaturas…
feitas de ternura…
… “Angelus Domine”!

 

* Maria Aparecida Filippo Lopes, ou Cihy Filippo (★ 1924 – † 2004), nasceu em Guaratinguetá (SP). Interna de escola salesiana, fez magistério e curso superior de psicologia. Pianista e poetisa, também teve uma atuação destacada em sua comunidade como professora primária, de pintura e bibliotecária, além de ter sido primeira ministra extraordinária da comunhão na cidade. Casou-se com Manoel Antônio Lopes e foi mãe de oito filhos – Marco Antônio, Márcia Maria, Maria Teresa, Pedro Luiz, Marco Aurélio, Antônio Augusto, Otávio Augusto e Marcelo Augusto.

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