
Parei na beira do mundo, onde a alma silencia,
E decidi falar com quem não tem pressa de ir:
Chamei o Sol, a Lua, o mar de forte magia,
E as montanhas que sabem o tempo que é ouvir.
— Ó Sol, que aqueces meu peito com fogo sagrado,
Dize-me o segredo de tanto brilhar sem temor!
E o Sol me respondeu, num raio dourado e calado:
“Eu gasto a vida inteira acendendo o calor.”
— E tu, Lua mansa que velas a noite escura,
Como suportas a ronda de tanta solidão?
A Lua sorriu na sua branca e serena altura:
“Eu guardo os sonhos que dormem no teu coração.”
— Ó mar infinito que bates na minha lide,
De onde tiras tanta força para este vai e vem?
O mar rugiu nas ondas que o vento divide:
“Eu sou a alma do mundo que chora e quer bem.”
— E vós, montanhas de pedra, majestosas,
Que vistes eras inteiras passarem por vós?
As montanhas falaram do alto, portentosas:
“Nós somos a terra muda ouvindo a tua voz.”
Olhei para o alto, olhei para o fundo do peito,
E vi que na roda do tempo, de sol e de mar,
Não sou estrangeira neste vasto e eterno leito:
Sou filha da terra que aprendeu a cantar.
AnnaLuciaGadelha
E-mail: analuciagadelha.pb@gmail.com

Ah, que beleza! Um diálogo poético com a natureza utilizando a prospopeia, conhecida figura de linguagem. Conversar com a natureza é dialogar com parte da nossa essência.. Parabéns!
Que beleza essa interação com a natureza! Uma sensibilidade, criatividade e inteligência numa perfeita harmonia. Viajei nesta conversa poética. Muita inspiração!