Vivo no avesso do que esperam, /com a alma inquieta de quem não se cansa: /sou o caminho que eu mesma invento, /sou a própria busca… e a própria dança.
Anna Lúcia Gadelha
O Bolero se cala, o sol desaparece, /Mas a magia desse instante, jamais se esquece. /O pôr do sol em Jampa, ao som de Ravel, /É a arte perfeita, num quadro de mel.
Muitas vezes, o mundo, em sua pressa desmedida, tenta transformar a vivência em obsolescência, confundindo o valor de um ser humano com a marca que o relógio deixa na pele.
Ele é o Sol que ilumina minha vida / Às vezes é um vento que me arrepia / Metamorfoseia-se e me incendeia / É um fogo que me deixa renascida
Sou feita de fases, de sombras e luz, / Um brilho discreto que a noite conduz. / Não tenho a rotina do sol que fulgura, / Sou mistério, maré, mutação e costura.
Na calada da noite eu me desfaço, / Quando sentes o gosto do meu brio. / Tua boca desenha um breve rio, / Que percorre a extensão do meu espaço.
Um sopro de brisa desperta o jardim, / O Sol vem beijar o casulo que abre. / A moça desperta de um sono sem fim, / Com uma leveza que o mundo já sabe.
Sou o fio, a agulha e o pano / Nesse bordado que o tempo teceu / Não conto a vida por mês ou por ano / Mas pelos laços que a alma colheu / Se o vento soprou e a folha caiu / É que o novo horizonte enfim me sorriu.
Acredite, juntos vencemos a escuridão / Se cada gesto trouxer um pouco de luz, / O amanhã floresce sem medo nem cruz / Plantamos esperança no chão da cidade, / E colhemos justiça, igualdade e verdade…









