A poeira levantou do chão da estrada / Quando o vento nordeste soprou no meu peito / Vim montada na rima, na luz da alvorada / Pra curar esse amor que não tem mais jeito / O meu sangue é brasa, é faísca, é clarão / Sou filha do sol, sou dona do chão!
Anna Lúcia Gadelha
Não é o fim do mundo, é só o começo do trajeto / Vou trocar o medo por um plano mais concreto / O vento lá fora já começou a soprar / E eu não tenho medo de me reinventar.
Deságua em mim como um rio de chumbo, / Lento, pesado, tingindo o que era cor. / Tira o meu eixo, retira o meu rumo, / Transforma o pulsar em um vago ríctus de dor.
O universo em nós se traduz, / Num brilho que o toque conduz. / O que era sombra hoje é luz, / E o fluxo sagrado nos seduz.
Não há uma porta, não encontro a saída, /Neste quarto fechado que o medo inventou. /Sou náufraga em terra, na própria vida, /Gritando pro nada… que ninguém escutou.
Trabalhei dobrado, bati meta, fiz história /Deixei os problemas guardados na memória /Agora o batom é vermelho e o carro tá na mão /Liguei o amplificador, preparei o coração!
Caminhando no vazio de um corredor sem fim / O silêncio ecoa, se alimenta de mim / As paredes me olham com esse cinza gelado / E o tempo parece que ficou aqui parado.
Ecoa o trovão no alto do monte / Um novo horizonte a clarear! / É o Olimpo em oração pela Terra / Pedindo que a guerra aprenda a amar. / Sou eu, o arauto da fraternidade / Na Grécia da felicidade, a paz vai reinar! (Primeira estrofe do samba-enredo)
O peito é um bicho acuado que não sabe se entrega,
pois traz na memória o corte de um antigo adeus.
É um querer que se esconde, uma luz que se nega,
com medo de que outros olhos apaguem os meus.
(uma das estrofes – a 1ª do poema)









