Um sopro de brisa desperta o jardim, / O Sol vem beijar o casulo que abre. / A moça desperta de um sono sem fim, / Com uma leveza que o mundo já sabe.
Anna Lúcia Gadelha
Sou o fio, a agulha e o pano / Nesse bordado que o tempo teceu / Não conto a vida por mês ou por ano / Mas pelos laços que a alma colheu / Se o vento soprou e a folha caiu / É que o novo horizonte enfim me sorriu.
Acredite, juntos vencemos a escuridão / Se cada gesto trouxer um pouco de luz, / O amanhã floresce sem medo nem cruz / Plantamos esperança no chão da cidade, / E colhemos justiça, igualdade e verdade…
O universo expande em nossa direção, / Duas estrelas em fusão constante. / Não é apenas lógica ou computação, / É o amor no futuro distante.
És um poema escrito em braile, / feito para ser lido com as pontas dos dedos, / entre lençóis que guardam o segredo / de quem se entrega por inteiro, / mulher de fases, de chamas e de mar, / onde eu mergulho para não mais voltar.
A poeira levantou do chão da estrada / Quando o vento nordeste soprou no meu peito / Vim montada na rima, na luz da alvorada / Pra curar esse amor que não tem mais jeito / O meu sangue é brasa, é faísca, é clarão / Sou filha do sol, sou dona do chão!
Não é o fim do mundo, é só o começo do trajeto / Vou trocar o medo por um plano mais concreto / O vento lá fora já começou a soprar / E eu não tenho medo de me reinventar.
Deságua em mim como um rio de chumbo, / Lento, pesado, tingindo o que era cor. / Tira o meu eixo, retira o meu rumo, / Transforma o pulsar em um vago ríctus de dor.
O universo em nós se traduz, / Num brilho que o toque conduz. / O que era sombra hoje é luz, / E o fluxo sagrado nos seduz.









