Florisbela na Janela – Parte II

Nicanor voltou.
Em outros braços Florisbela ele encontrou.
Oito anos se passaram e nenhum bilhete ele mandou.
Florisbela chorou, chorou, e nenhuma lágrima restou.

 

As flores belas murcharam, secaram, acabaram.
A janela para sempre ela fechou.
Mas uma nova estação surgiu trazendo Apolinário.
Com um sorriso e uma flor em botão,
Ele mexeu novamente com o seu coração.

A janela se abriu e do botão brotou uma nova flor.
Florisbela radiante seu jardim renovou.
Mas Nicanor, de malas na mão
E com outra flor em botão,
Chegou para ficar.

E agora, Florisbela, o que decidir?
Apolinário de um lado, com seus olhos azuis brilhando de amor,
E Nicanor do outro, suplicando perdão.

E Florisbela disse:
— Aquele que não me fizer chorar,
Será com esse que irei ficar.

Apolinário logo se apressou em molhar as flores belas
Do jardim de Florisbela: rosa, roxa, alaranjada e amarela.
De repente, uma nova flor nasceu, azul da cor dos seus olhos,
E Florisbela percebeu: é com Apolinário que quero estar.

Nicanor sentiu que nunca mais teria Florisbela.
Pegou as malas, fechou a porta, sumiu e ninguém mais o viu.
E as novas estações vieram,
Trazendo mais flores belas
Para o jardim de Florisbela:
Rosa, roxa, azul, alaranjada e amarela.

Ana Amélia Guimarães
E-mail: meliaguima@gmail.com

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