
Entrego-me inteira, em rios de afeto,
ofereço o peito como abrigo e cais,
desenho abraços onde cabem mais
e busco na entrega o meu porto exato.
Mas há quem receba a alma em silêncio,
olhando de longe a maré que transborda,
como quem cruza a rua e se importa
apenas com o passo do próprio reduto.
E dói ver o amor, que é fonte e semente,
bater na parede de um peito fechado,
e ver o cuidado que foi tão sagrado
virar eco mudo na gente ausente.
Contudo, não nego a essência que trago:
se o outro não sabe o valor do que dou,
continuo sendo o abraço que sou,
pois dar o meu melhor é o meu próprio rastro.
AnnaLuciaGadelha
E-mail: analuciagadelha.pb@gmail.com

“Dar o meu melhor é o meu próprio rastro”. O fechamento desse belo poema confirma que não devemos negar ou trair a nossa própria essência, mesmo que muitos não a compreenda e que o mundo reaja com ingratidão, porque ninguém pode nos dar o que não tem. Há quem receba um carinho com frieza, um abraço com indiferença e existem aqueles que por orgulho e despeito ferem quem os auxilia. Receba meus cumprimentos, poetisa, pois amei seus versos que permeiam a alma de quem não ignora a sua essência.
Amei os versos! Seguir a própria essência é um presente para a alma, amar sem esperar nada em troca, amar simplesmente por amar, e isso já é se amar e ser feliz. Parabéns pelo poema sensível e inspirador!
Quando pensamos que encontramos o amor que sonhamos, entregamos sentimentos que emanam da alma sedenta, mas as vezes, batemos em portas que abrem, mas que não nos recebem como esperamos. A essência, o abraço, o aconchego, seguimos sem perder o que temos de melhor. Aplausos Anninha.