Visita à Juventude

Imagem: Vecteezi

O convite era para viver, dançar e soltar a alegria. A chegada foi gloriosa: fomos recebidos com uma taça de champanhe em um local bonito, aconchegante, bem decorado, espelhado — um fino ambiente.

A sensação era de que estávamos nos anos 70, tínhamos todos a mesma faixa etária e havíamos marcado aquele encontro. Tantos anos se passaram, mas não se apagaram em nós os momentos vividos na mocidade, quando éramos jovens e cheios de sonhos.

Todos com o mesmo sorriso e olhar brilhante, embora com corpos já não tão perfeitos, estávamos lá, vestidos com a cara da juventude. Cada um vibrava e dançava como queria e conseguia, sem cobranças ou receio de qualquer julgamento.

As músicas internacionais das discotecas, cada uma mais vibrante que a outra, traziam lembranças e sensações que faziam recordar, com emoção, momentos e alegrias passadas. Quanto às nacionais dos anos 80 e 90, vivi-as com minha filha em sua adolescência e juventude. Chegaram a vir lágrimas aos meus olhos.

Era visível a satisfação e a felicidade presentes nos jovens maduros; notava-se uma visita à juventude em cada coração que aproveitou aquela fase da vida com prazer e desfrute. Temos certeza de que os jovens que mais usufruíram da mocidade foram os que nasceram nos anos 50 e 60 — o nosso caso —, pois vivenciaram uma época de abertura, na qual havia uma busca por liberdade sem tanta maldade ou repreensão, cujo lema era “faça amor, não faça guerra”, e assim procurávamos ver a vida.

Hoje, guardamos nas memórias e na saudade a certeza de que somos pessoas raras e em extinção, donas de experiências inesquecíveis que fazemos questão de sempre visitar para abraçar a nossa juventude, e quando possível repassar aos nossos descendentes. Estamos indo embora; o que vivemos, o que construímos e a alegria que levamos, os que virão jamais saberão. Não era somente dançar; era mudar um sistema opressor que reprimia a mocidade. Afinal, não foi fácil, mas conseguimos, e o dançar estava no embalo e no contexto. Além de fazer bem ao corpo e à alma, traz paz, alegria, saúde e faz bem à vida.

Ana Amélia Guimarães
E-mail: meliaguima@gmail.com

Um comentário sobre “Visita à Juventude”

  1. “Que crônica linda e cheia de sensibilidade! Ana Amélia Guimarães resgatou com maestria aquela sensação gostosa de reencontrar o passado e perceber que a nossa juventude continua viva na memória e no coração. Dançar, recordar e celebrar a vida é o melhor remédio para a alma. Vale muito a leitura! ✨🎶”” Parabéns e aplausos …

Deixe uma resposta