O peito é um bicho acuado que não sabe se entrega,
pois traz na memória o corte de um antigo adeus.
É um querer que se esconde, uma luz que se nega,
com medo de que outros olhos apaguem os meus.
(uma das estrofes – a 1ª do poema)
O peito é um bicho acuado que não sabe se entrega,
pois traz na memória o corte de um antigo adeus.
É um querer que se esconde, uma luz que se nega,
com medo de que outros olhos apaguem os meus.
(uma das estrofes – a 1ª do poema)
Será que existe, de fato, um lugar realmente seguro? Um lugar de tranquilidade, calma, despreocupação? Para uma amiga minha, este lugar existe: é o túmulo, onde tudo fica parado, calmo, quieto, silencioso… Não! Deus que me livre! Prefiro pensar noutras possibilidades, pensar na vida mesmo, com todos os seus percalços, perigos e tormentas.
Veio-me, então, uma saudade imensa de Mãe Noca. De vez em quando, lembro-me dela com muito carinho e saudade, mas hoje o sentimento foi muito mais forte diante de tanta falta de bom senso, de tanta superficialidade. Posso dizer que a lembrança de Mãe Noca salvou o meu dia. Que maravilhosa e santa mulher! Fechei os olhos a recordar…
Lá estava ela linda, toda de preto, caminhava em sua direção, um sorriso meigo e sensual brotava nos seus lindo lábios; discreta e, ao mesmo tempo, altiva, ia se aproximando e, pelo perfume que exalava, algo mágico pairava no ar.
Quando estávamos instalados começaram a aparecer homens batendo a nossa porta perguntando pelas mulheres. Ficávamos sem entender. Certo dia a porta estava aberta e entrou um sujeito bêbado que ficou gritando todo eufórico: “cadê as muié, chegou o garanhão”. E minha mãe saiu lá de dentro assustada dizendo que ali era casa de família e o homem não queria ir embora falando que a casa era das famílias das muié da vida. Foi complicado tirar o cara de lá.
Por Paty Guimarães* A cidade acordava antes dela, como se tivesse pressa de ocupar o mundo antes que alguém pudesse contestar. Ainda era cedo quando o primeiro ônibus passou bufando na avenida principal, espalhando um…
Attention à la vie, nas palavras de Alfed Schutz, para se referir àquele tipo de atenção que predomina no “mundo da vida,” na vida cotidiana Acabo de ver na calçada de em frente, uma moça…
Aqui não tem uma militância Tem uma ânsia, isso sim, de respirar melhor Catar flores no meio do asfalto Alto lá Bandidagem aqui não. Agem nas sombras Deseducam, confundem Afundam países Desfazem o humano. Este…
Uma flor laranja emerge majestosa. À sua volta, alguma escuridão, não sei se da folhagem circundante, ou da própria escuridão do mundo. Ofício este do artista, o de ir transformando em beleza o que machuca…