Medo de Amar

Imagem criada por Inteligência Artificial (IA)

O peito é um bicho acuado que não sabe se entrega,
pois traz na memória o corte de um antigo adeus.
É um querer que se esconde, uma luz que se nega,
com medo de que outros olhos apaguem os meus.

Monto guarda na porta, vigiando o sentimento,
como quem protege o fogo de um vento febril.
É o pavor de virar cinza, de virar esquecimento,
e de ver o porto seguro tornar-se um navio vazio.

Há uma beleza trágica em quem ama de longe,
na segurança do muro que a própria mão ergueu.
Onde a alma se cala, onde o desejo se esconde,
temendo que o “nós” desintegre o “eu”.

Mas a vida é teimosa e não aceita o recuo,
bate forte no vidro querendo entrar.
Pois o medo é o preço, alto e ambíguo,
de quem sabe que o risco é a única forma de estar.

AnnaLuciaGadelha
analuciagadelha.pb@gmail.com

3 comentários sobre “Medo de Amar”

  1. Poema reflexivo e algo introspectivo. O medo de amar, abandonando as armas e mostrando suas fragilidades a outrem; levantar velas e sair do porto seguro. Amar é cativar e ser responsável, é também ser cativo pela afeição que nasce do coração. Não, amor não é paixão. Não raro erguemos nossos muros para não deixar que os sentimentos saiam da zona de conforto e para impedir que o sofrimento entre. O medo serve para nos peservar de perigos reais, é natural instinto de conservação, contudo, um medo exagerado pode paralizar nosso crescimento. Amar de longe pode doer e talvez nem seja a nossa escolha, mas pode ser apenas um querer se proeger. Na raiz do medo de amar está o medo de se arriscar e de tudo perder. Ora, perder o quê, se tudo o que levarems da vida é o nosso amor. Amei seus versos, talentosa poetisa. Até a próxima!

  2. Poema reflexivo e algo introspectivo. O medo de amar, abandonando as armas e mostrando suas fragilidades a outrem; levantar velas e sair do porto seguro. Amar é cativar e ser responsável, é também ser cativo pela afeição que nasce do coração. Não, amor não é paixão. Não raro erguemos nossos muros para não deixar que os sentimentos saiam da zona de conforto e para impedir que o sofrimento entre com os sentimentos do outro. O medo serve para nos preservar de perigos reais, é natural instinto de conservação, contudo, um medo exagerado pode paralizar nosso crescimento. Amar de longe pode doer e talvez nem seja a nossa escolha, mas pode ser apenas um querer se proteger. Na raiz do medo de amar está o medo de se arriscar e de tudo perder. Ora, perder o quê, se tudo o que levaremos da vida é o nosso amor. Amei seus versos, talentosa poetisa. Até a próxima!

  3. Que beleza de poema! Muita sensibilidade. “Pois o medo é o preço, alto e ambíguo, de quem sabe que o risco é a única forma de estar.” Muito profundo, pois vejo que este risco significa viver verdadeiramente, ser o que realmente a alma grita, respeitando o eu absoluto que cada ser humano tem e almeja, ou seja, ser é estar, é Viver!

Deixe uma resposta