Quando a queda e o fracasso viram recomeço

O drama individual, sem perder sua singularidade, passa a dialogar com uma história coletiva e resgata nossa humanidade. | Foto: Chrii S/Pexels.

Relatos em uma roda de Terapia Comunitária mostram que acolhimentos podem abrir caminhos de reconstrução.

Escrito por Adalberto Barreto producaodiario@svm.com.br | Diário do Nordeste, 16 de Julho de 2026

A eliminação do Brasil na Copa provocou, como tantas vezes acontece, uma onda de frustração coletiva. Houve silêncio diante da televisão, palavras atravessadas pela decepção e a sensação de que uma esperança compartilhada havia desabado. Mas, em uma roda de Terapia Comunitária Integrativa, a derrota em campo abriu uma porta para uma reflexão mais íntima e universal: o que aprendemos quando perdemos ou fracassamos?

A pergunta tirou o olhar do placar e o levou para o território silencioso da vida cotidiana. Aos poucos, vieram relatos de abandono, culpa, luto, adoecimento, perda de autoestima e reconstrução familiar. Cada fala trazia uma ferida, mas também uma semente.

O fracasso, quase sempre associado à vergonha e à dor, revelava ali outra face: a de caminho possível quando encontra escuta, acolhimento e tempo para ser elaborado. Alguns relatos ajudam a compreender essa travessia.

“Sofri muito com o fim do meu casamento. Me senti abandonada pelo meu marido que me trocou por uma outra mulher mais nova. O que me fez recuperar minhas forças foi cuidar de meus filhos, me aproximei de minha sogra que virou minha confidente e amiga. Encontrei um novo companheiro e estou muito feliz. Com esse fracasso, aprendi que não se deve criar expectativas e depender de ninguém.”

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