O Bazar

Imagem: Bazar da Cidade_Instagram

Marcado para as 15h30 de um domingo, veio o convite de uma amiga artista plástica (dentre suas tantas qualidades) para irmos a um bazar com poesia, música e bom café.

Uma casa bela, cheia de portas e janelas, onde de todos os cantos emanam luz e claridade, com plantas ornamentando e complementando a decoração. Mulheres belas, vividas, charmosas, guardando a beleza de outrora, foram chegando uma a uma. Umas já se conheciam e se reencontraram com muita alegria; outras foram apresentadas ali. Cada uma com sua história de vida — cheias de vitalidade —, traziam no olhar a vontade de partilhar e de se sentir acolhidas naquela comunidade pós-juventude: mães, viúvas, separadas, casadas, solteiras. Mulheres ainda prontas para seguirem transbordantes de desejos, querendo fazer atividades para as quais, às vezes, não tinham tempo ou não era o momento, mas para as quais ainda têm garra para fazer acontecer.

Reunidas em uma roda, elas — poderosas, magníficas — falaram de poesia. Houve a leitura de poemas de pessoas comuns que aproveitaram o dom da escrita e permitiram que a alma falasse, fosse escutada e relatada por intermédio de seus escritos, sendo lidas, ouvidas e apreciadas por aqueles que sabem sentir o prazer que tem um poema. O grupo das mulheres da música e do pandeiro, com voz e canção, deu o toque de som e de alegria, mostrando o poder de executar com emoção o que gostam, sem cobranças.

Os apetrechos do bazar, com roupas de bom gosto, bijuterias, bolsas, sapatos e outros objetos, compunham harmonicamente o ambiente. O café, o chá, os bolos, a gelatina colorida, as pastas, os pães, os sucos — tudo delicadamente preparado — compunham a mesa convidativa.

E assim foi aquela tarde de domingo com café, música, poesia e mulheres admiráveis que saíram dali com uma vontade de “quero mais”: de fazer mais, de viver mais, de ser mais feliz, e que venham mais e mais! Com todos os preconceitos, limites, obrigações e afazeres impostos à mulher, não nos esquecemos de nós mesmas. Percebemos que somos fortes, que colocamos amor no mundo e que somos melhores do que eles.

Vida longa com saúde, paz, alegria a todas as mulheres!

Ana Amélia Guimarães
E-mail: meliaguima@gmail.com

3 comentários sobre “O Bazar”

  1. Nossa, que maravilha Ana Amélia, você nos faz reviver momentos tão preciosos da vida, nos trazendo alegria e mais vida!!! Muito obrigada!
    Foi muito bom ter recebido tanta gente bonita aqui em casa, e agora, esse seu registro traz de volta a leveza na alma que marcou aquela tarde de domingo.

  2. Texto primorosa e emocionante, Ana Amélia! Você conseguiu traduzir com uma sensibilidade ímpar a energia vibrante, a força e a beleza dessas mulheres que sabem fazer da maturidade um tempo de arte, aconchego e liberdade. Ler seu texto é sentir o perfume do café, ouvir a poesia e renovar a esperança na vida. Vida longa a todas as mulheres e à sua escrita inspiradora!

  3. Bazar, poesia e mulheres inteligentes, realmente deve ter sido um encontro memorável. Sua narrativa soa natural, quase informal, fazendo-nos também viver este momento. Parabéns, Ana Amélia! Eventos assim são edificantes para a alma.

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