Ontem, na conclusão da crônica sobre a renúncia de Cunha, misturei o choro de crocodilo ao “I protest” de FHC. Rapidamente, recebi uma crítica de um conhecido, que achou a mistura exagerada.
Paulo Branco
Pobre do povo que se farta com um movimento ilusório, que dificilmente irá mudar o rumo das coisas.
Hoje pela manhã, fui ao consultório médio. Como de praxe, na salinha de espera, a tevê estava ligada na Rede Globo. Fátima Bernardes, falante e sorridente, era adulada por uma plateia sem vida, que bate palma de forma orquestrada e robotizada para qualquer fala com final enfático.
Antes de iniciar, confesso que não assisti nem dez minutos da Eurocopa. Vou além, desisti do futebol quando exterminaram a geral e fizeram do saudoso Mario Filho uma espécie de Teatro Municipal: deveria estar democraticamente embutido nos direitos do povo ao lazer e cultura, mas nunca acolheu um assalariado.
Grandes jornalistas, historicamente, destacam-se por fazer notórias investigações e trazerem à tona informações bombásticas e reveladoras. Destrincham tudo aquilo que dificilmente viria a público, caso não houvesse ali sua coragem, esforço e dedicação.
Como dizia Galeano, “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”.
Ao que tudo indica, as coisas vão se aprumando. Parece que toda a trupe golpista, da justiça aos meios de comunicação, organizou suas diferenças para que ninguém do lado de lá se prejudique mais. E para que isso tenha sucesso, é preciso colocar, mais uma vez, o PT na mira, com todo aparato sensacionalista possível.
“O que é transmitido à maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde.”
Logo pela manhã, vou clicando de jornal em jornal e de blog em blog, analisando a forma com que os fatos são passados. É uma prática matinal dolorosa. Que contraste terrível.

