Da justiça à grande mídia: primeiro se expõe e condena, depois se apura

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Grandes jornalistas, historicamente, destacam-se por fazer notórias investigações e trazerem à tona informações bombásticas e reveladoras. Destrincham tudo aquilo que dificilmente viria a público, caso não houvesse ali sua coragem, esforço e dedicação.
Atualmente, as grandes investigações e grandes denúncia são deixadas de lado, principalmente pelo fato delas virem através de veículos alternativos. Por parte da grande mídia, quando surge uma bomba, normalmente, elas vêm na mesma direção de sempre, com profunda baixeza e oriundas do disse me disse. Foi o caso dos supostos gastos de Dilma Rousseff com o cabelo, descritos em poucas linhas e sem nenhuma concisão, por Merval Pereira, no O Globo.
Tratando-se novamente da mídia alternativa, por mais que não se tenham notícias reveladoras, reforçar o contraponto ao jornalismo parcial e perverso da grande mídia, é de extremo valor.
Falo de tudo isso, porque hoje, uma amiga reclamou brutalmente dos ataques que a Cultura vem sofrendo, especialmente em torno da lei Rouanet. A insatisfação não se dá somente pelo tipo de ataque, mas pelo fato de que quase nenhum veículo de informação tenha noticiado com responsabilidade os fatos. A prática atacante é a mesma de sempre: apropriam-se de casos isolados para desqualificar o todo, colocando indiretamente o trabalho de gente séria e comprometida no mesmo barco. O objetivo, além de criminalizar o excelente trabalho dos ex-ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, ambos no governo PT, fomenta a linha inicial de Temer, que achata e diminui a importância da Cultura. Consequentemente, desqualifica-se a pasta, como se não houvesse efetividade alguma na transformação do país.
E aqui no Brasil, local de imaturidades, pouca reflexão e muitas repetições, qualquer notícia facciosa é um prato cheio para os papagaios de plantão. Não é de hoje, que os ataques fascistas são feitos pelas mais ignóbeis execrações de programas sociais e medidas do governo petista, que tiveram um poder de transformação extraordinário. Foi assim com o Bolsa Família, com o Sistema de Cotas e está sendo com o Ministério da Cultura: coloca-se um erro ou qualquer fraude para desqualificar o todo e fazer valer a tese de que qualquer movimento em prol do povo é populismo barato, ineficiente e promove um fato descrito como “novo”: a corrupção.
O que pouco se leu ou ouviu é que durante a atuação de Juca Ferreira e Gil, ocorreram medidas visando democratizar e horizontalizar o uso de ferramentas e banir práticas fraudulentas. Além disso, as últimas notas do próprio Minc comprovam que desde 2011 ocorriam investigações e vetos a diversos projetos inadequados ao cumprimento do objeto. Pouco enfatizadas são as revelações de que grupos ligados à corrupção atuam desde 2001.
O que não se contém é a maré de notícias que proporcionam um mal-estar em pessoas sérias e comprometidas, além de endossar o engodo sugestivo de que a classe é composta unicamente por oportunistas que realizavam projetos ineficientes. Destaca-se também, que todos os acusados de fraude não são aqueles, levianamente acusados, pela massa falaciosa: os artistas petralhas.
Saindo da cultura, chego, mais uma vez, em Eduardo Cunha. Tempos atrás, parte da sociedade e da classe política, comemorava o seu encurralamento em direção à punição. A esperança era de que, por mais demorado que fosse, uma hora a justiça seria feita. Em vão. Eduardo Cunha continua livre e pelos últimos movimentos, entende-se que ele continua a mandar não somente na Câmara como também no governo interino. Lembremos que Cunha foi proibido pelo STF de ir à Câmara, para que não houvesse intervenção no processo Legislativo. Mas, na de noite domingo ele foi visto tratando diretamente com o interino, no Palácio do Jaburu. Dentre os assuntos, estava a sucessão de Cunha na presidência da Câmara.
No mesmo comboio de atrocidades, coloca-se a aprovação no Senado que reconduz Romero Jucá ao cargo de segundo vice-presidente da casa, como se todos os áudios e delações não tivessem importância alguma.
Do outro lado da história, o ex-ministro Paulo Bernardo, depois de ter sido preso e exposto perante a opinião pública, tem revogado seu pedido de prisão. Como prática comum quando se trata de petistas, primeiro se prende para depois analisar o caso.
Diante de todo esse cenário de situações escorchantes, nada melhor que o escárnio feito pelos artistas, no programa portas do fundo, representados pela foto e pelo vídeo postado abaixo:
Foto(*): pragmatismopolitico.com.br

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