É na inescrupulosa ambição que se vê quem é quem

uruguai
Ontem, na conclusão da crônica sobre a renúncia de Cunha, misturei o choro de crocodilo ao “I protest” de FHC. Rapidamente, recebi uma crítica de um conhecido, que achou a mistura exagerada. Não é o caso dele, mas essa preocupação, normalmente, vem dos sujeitos que se auto intitulam como equilibrados, nem de direita e nem de esquerda. São milhares de pessoas assim, “sensatas”, que enaltecem suas posições moderadas, mas não escondem a seleta indignação com a corrupção petista. Em relação a Temer e sua trupe, optam pela mansidão e paciência.
A crítica era simples: existe uma diferença grande entre FHC e Cunha. Pode ser. Mas, considerando a velha estratégia desse grupo político, que não mais consegue vencer nas urnas e precisa elaborar estratégias sujas e sorrateiras para chegar ao poder, podemos sim misturar ambos.
A história somente muda o nome dos personagens, mas o perfil e os métodos não. Foi assim que o ambicioso e inescrupuloso Carlos Lacerda estimulou o golpe de 1964: faminto pela presidência incentivou a intervenção militar, achando que a presidência, em seguida, cairia no seu colo. Não caiu. Inclusive, tempos depois, o político teve uma morte suspeita. Como legado de sua estratégia, nos deixou vinte e um anos de ditadura militar.
Saindo de Lacerda para FHC, a última notícia é a viagem do ex-presidente, no avião da FAB, para Uruguai. O objetivo é evitar que a Venezuela lidere o bloco do Mercosul. Em sua companhia, o ministro José Serra, político queimado eleitoralmente, que passou a limitar sua atuação política, exclusivamente, aos negócios: vender o Brasil e tornar o país, mais uma vez, subserviente as ordens americanas.
Mais uma dessa turma imoral, é a aprovação na Câmara dos Deputados, do projeto, do mesmo José Serra, que retira da Petrobrás a exclusividade na exploração do petróleo.
Vale lembrar, as informações vazadas pelo Wikileaks, onde Serra havia tornado seguro a Chevron, a promessa de acabar com o domínio da Petrobras.
Para termos noção do prejuízo, destaco os números do Instituto Nacional de Óleo e Gás da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (INOG-Uerj), que quantifica as reservas do pré-sal em pelo menos 176 bilhões de barris de óleo de reservas de petróleo. Esse valor nos colocaria como a quarta maior reserva do mundo.
Portanto, por mais que um seja mais cruel que o outro, todos demonstram a mesma face golpista na relação com a democracia e no insano projeto que pretende rifar e apequenar o país.
E, por mais que a grande mídia tente blindar FHC e o PSDB, adotando, inicialmente, uma distância cautelar do PMDB, os fatos nos provam que, desde a derrubada de Dilma até a parceira com o governo interino, são todos farinha do mesmo saco.
Foto(*): facebook José Serra

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