
Logo pela manhã, vou clicando de jornal em jornal e de blog em blog, analisando a forma com que os fatos são passados. É uma prática matinal dolorosa. Que contraste terrível. O bom é que a gente vê a mesquinharia e a falta de escrúpulo de cada grupo jornalístico. Bem que poderiam ser visões distintas sobre os fatos, mas não são. É maldade mesmo. Fruto de um Brasil atrasado, onde não se discutem projetos políticos, verdades. A grande mídia quer enfiar goela abaixo do povo, que o projeto Colonial-escravocrata em curso é a saída para o Brasil.
Como medida cautelar, incentivam os leitores a acreditar que o Brasil de Lula e Dilma era um desastre colossal. E, por mais que os últimos acontecimentos encaixem como prova cabal de que ambos pelejavam para fazer o Brasil avançar democraticamente, são eles que ditam as “verdades” e escolhem os alvos.
O que eu vou falar aqui não é novidade para ninguém. O homem que fez contraponto ao projeto de Dilma, nas eleições de 2014, alegando que o país precisava de uma faxina para acabar de vez com o famoso “mar de lama”, foi mais uma vez citado. Ele mesmo, Aécio Neves.
Não serei hipócrita, nem irei surfar na mediocridade de muitos, colocando a palavra do delator como a voz de Deus. Não é. O sujeito enquadrado, escorraçado por tanta vilania, ganha status de santo imaculado. Aponta, entrega, faz o diabo com a história em que ele era protagonista. E como nós temos visto sistematicamente, o delator, como prêmio por tamanha bondade e generosidade, aproxima-se da liberdade.
Pois é, mas depois da sexta ou sétima delação, dizer que o sujeito não tem culpa de nada, é demais. A última, segundo a delação de Sergio Machado, a propina foi feita em espécie. Já imaginaram um milhão de reais em pastinhas pretas? E o sujeito pomposo, com a cara lavada, afirmando: “Sérgio querido, isso aqui é para a faxina, vamos acabar com esta pouca vergonha”.
Mas tudo bem minha gente, não podemos nos esquecer da fazenda do Lula, aquela que já teve transação registrada em 20 dólares. Opa, que deslize. A fazenda, de valor estratosférico e com aeroporto próximo era do príncipe FHC. Mas, FHC não vem ao caso. Sociólogo respeitadíssimo, de muitos idiomas, venerado por sua moral e ética, é gente que merece respeito e privacidade.
Bom mesmo é incentivar a busca insana e ilimitada da República do Paraná atrás de indícios que comprometam Lula. Sabem como é, aquele sitiozinho em Atibaia, onde o velho barbudo passeia com seu isopor na cabeça era prenúncio de suas tramas. Era ali, onde o velho botava tudo no isopor e de lá pretendia, de barquinho, investir tudo em Cuba. Era o projeto em curso, que visava surrupiar o Brasil.
E por isso que a venerada Operação Lava-Jato não pode parar. Esqueçam todos os outros e não importa se até então não houve nenhuma delação com o nome de Dilma e nenhuma prova contra Lula. O negócio não pode parar.
Sabe como é: se Lula não cair, o 2018 dessa gente bonita, elegante e sincera estará em risco.
Mas há quem ainda persiste em deixar aquele medonho adesivo, no carro que diz: A culpa não é minha, eu votei no Aécio.
Nada mais é que o retrato do Brasil, comandando pelo também delatado e poeta Temer.
Sinceramente, a culpa não é minha…
Foto(*): produto.mercadolivre.com.br
A Culpa Não é Minha…
