Tomou um gole d’água de uma garrafinha que trouxe de casa para curar a gripe. Ligou para um amigo, aquele especial de longa data, com um medo danado de perder mais um, para a insanidade daquele mundo neoliberal. Sabia que muita gente estava sendo enganada ou vinha perdendo a sensibilidade, como aquela economista e muitos outros que ele tem ouvido por aí, que dizem que “o certo é o certo”, como se estivesse tudo bem com o país, comandado por um sujeito delatado 43 vezes e seu povo, desempregado e sem esperanças.
Paulo Branco
Quando nos deparamos com essas histórias de superação, veneramos a estrela e passamos a acreditar que com muito suor se chega lá. Mas, a verdade é que menos de 1% alcança essa posição confortável. A grande maioria apenas sobrevive.
Resgato uma crônica escrita próxima ao Natal do ano anterior, período em que os efeitos do avanço perverso da direita brasileira ainda não eram sentidos. O desastre de um governo conservador, sem compromisso algum com seu povo e a soberania nacional, agora, já trazem consequências devastadoras.
A Istoé não se deu prêmio algum, mas nós já podemos dar o prêmio Surrealista para a revista e toda grande imprensa brasileira, que tem demonstrado grande compromisso com a democracia, fatos e os interesses do povo.
Enquanto o país inteiro vive a comoção pelo desastre aéreo que matou 71 pessoas, na noite de ontem, o Senado Federal aprovou, no primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição, PEC 55. A aprovação contou com 61 votos a favor e 16 contra.
Vale lembrar, que os americanos tinham como informante o atual presidente Michel Temer: antes de ser golpista, Temer remetia informações sigilosas aos americanos sobre os acontecimentos políticos no Brasil, segundo o site Wikileaks.
Enquanto a grande maioria comemora, tomada por um sentimento de vingança, alguns poucos são tomados pela desconfiança e mal estar. A desconfiança não se deve à dúvida quanto às vilanias cometidas por ambos. Disso, acho que ninguém tem dúvidas.
Começando pelos americanos, há de se convir que Donald Trump é o típico bobalhão, caricata, que orgulha-se de seus preconceitos e suas ideias, ou melhor, suas anti ideias tomadas pela ignorância, prepotência e desumanidade. Venceu Hillary que, por mais previsíveis que fossem seus passos, também não era lá essas coisas: manteria o intervencionismo e todas as práticas imperialistas que vão de apoio a golpes brancos na América Latina até intervenções militares no Oriente Médio.
O Brasil passa uma profunda crise de representatividade que vem endossando o discurso apolítico. O discurso reducionista que diz que nenhum político presta era tudo que os grupos e políticos tradicionais precisavam para tomar de volta o poder.



