Pataquara era um pássaro do Seu Ziquezira / Ninguém sabia direito que pássaro era, / Se papagaio, cacatua, arara. / Mas o bicho tinha um colorido especial / Meio verde, vermelho, meio branco / Às vezes rosado, com penacho azul sem igual.
Ana Amélia Guimarães
Arbustos chorosos, desgastados e retorcidos / Revelam abandono, revolta, aridez / Miram o estrelário, implorando / A Terra Prometida, a Terra Santa / Da paz, da união, da fartura, do amor / Etérea, celeste, vem para ajudar / Findando esse ciclo de pranto e dor.
Um pouquinho de seu cheirinho / Um abraço e um gostoso sorriso / Hora do canto de passarinho / Todo esse momento em paraíso.
Encerra o caminho no tom das folhagens, / o peregrino descansa o olhar. / Pois entre cores e tantas passagens, / pé no verde que a alma faz o seu lar.
Há um mundo pulsando lá fora, / e eu, recolhida, / habito o que resta de mim. / Estarei me rendendo, / deixando ao abandono minhas quimeras — / essas que um dia vesti de sonho — / ou será apenas o tempo, / silencioso, / me ensinando a amadurecer?
Botei minha fantasia, que há muito tempo estava no armário com cheiro de mofo. Era do carnaval em que conheci Dairinho; eu estava com dezesseis anos.
“Gosto tanto dessa vidinha, não quero ir embora. Quisera que Deus me deixasse aqui mais um pouco”. E eu sempre te animando, dizendo que você iria ficar por muito tempo ainda por aqui.
Existe um ponto de pedra no oceano /onde as águas batem sem cessar. /O azul da água se confunde com o azul do céu; /fundem-se numa mesma aliança /de infinitude, real realeza /desse planeta azul…
Somos seres em construção; /o que fui ontem, amanhã /talvez já não seja, não. /Todo dia me faço e refaço, /no compasso do diapasão.









