A sociologia da saúde mental de Alain Ehrenberg

Imagem: Roland Deason

A depressão não é efeito da sociedade, mas a língua que ela inventou para traduzir em sofrimento a obrigação de ser livre.

Por Elton Corbanezi* | A Terra é Redonda | 10/06/2026

1.

A sociologia da saúde mental de Alain Ehrenberg é uma referência incontornável para os estudos nessa área de conhecimento. Boa parte de suas pesquisas já foi traduzida para diversos idiomas, e seu livro La fatigue d’être soi : dépression et société ([1998] 2000) é considerado um estudo sociológico fundamental sobre a depressão nas sociedades contemporâneas.

A obra do autor é frequentemente mobilizada para sustentar que as transformações sociais contemporâneas, aí incluídas as provenientes dos processos de neoliberalização, atuam como causa da alta incidência dos transtornos mentais paradigmáticos de nossa época, tais como depressão, ansiedade, síndrome de burnout, fobia social, compulsão, hiperatividade.

É verdade que Alain Ehrenberg argumenta que a transformação do regime de interdição e de obediência da sociedade disciplinar para o regime de iniciativa do próprio indivíduo na sociedade pós-disciplinar é um aspecto central para compreender a depressão; dessa forma, a depressão não seria propriamente tristeza, mas incapacidade de ação em uma nova forma de sociabilidade cujo paradigma normativo é a autonomia.

No entanto, Alain Ehrenberg recusa categoricamente a relação de causalidade entre a sociedade capitalista atual e o sofrimento psíquico. O argumento se torna explícito em La société du malaise (2010), em que o autor mobiliza as noções de “representação coletiva” (Durkheim), de “expressão obrigatória dos sentimentos” (Marcel Mauss) e de “jogos de linguagem” (Wittgenstein) para sustentar que o vocabulário contemporâneo da saúde mental é a forma pela qual as sociedades individualistas elaboram e representam para si o bem e o mal, o justo e o injusto, os sucessos e os infortúnios.

Em outros termos, enquanto “idioma global”, o vocabulário contemporâneo da saúde mental consistiria em uma linguagem, cujos significados são socialmente partilhados, para expressar aspectos negativos e positivos da relação indivíduo-sociedade de forma inteligível aos membros das sociedades individualistas contemporâneas. Tal vocabulário emocional da saúde mental se constituiu como uma expressão a um só tempo espontânea e obrigatória (Mauss), um jogo de linguagem (Wittgenstein) conforme contexto e regras sociais específicos e cujo sentido existe de acordo com nossas representações sociais coletivas da vida em sociedade (Durkheim).

 

2.

Dessa forma, La société du malaise aborda a questão sociológica fundamental da relação indivíduo-sociedade; mais do que isso, debate as implicações epistemológicas e políticas dessa relação na atualidade. Em termos concretos, trata-se de analisar comparativamente como as sociedades norte-americana e francesa representam para si a autonomia, que constitui o valor e a norma por excelência das sociedades individualistas contemporâneas. A abordagem se inscreve, assim, no fio condutor da obra de Alain Ehrenberg, a qual está interessada nas transformações do individualismo contemporâneo ao menos desde Le culte de la performance ([1991] 2011).

Em síntese, em La société du malaise, o autor sustenta que a autonomia tem significação social diversa nas duas sociedades em análise. Os norte-americanos a concebem a partir da centralidade do self, em que a personalidade funciona como uma instituição, de tal modo que a autonomia lhes significa ao mesmo tempo independência, competição e cooperação. O problema, para o imaginário social norte-americano, não é o excesso de individualismo e seus atributos (oportunidade, iniciativa, responsabilidade, ação), mas sua subtração por meio, por exemplo, do excesso de intromissão estatal na vida dos indivíduos.

De forma oposta, segundo o autor, os franceses concebem a autonomia tão somente como independência, uma vez que o espírito institucional francês tende a recusar sua outra face, que implica ação individual, responsabilidade, competição. Para o imaginário social francês, diferentemente do norte-americano, a igualdade não reside nas oportunidades individuais, mas na proteção social mediante a ação estatal. De forma minuciosa e documentada, o autor defende então a tese de que a autonomia é uma norma e condição que, por um lado, une os norte-americanos e, por outro, divide os franceses.

Desse modo, o pêndulo da relação indivíduo-sociedade se volta mais para o lado indivíduo/personalidade na sociedade norte-americana, ao passo que, para a sociedade francesa, ele repousa no polo sociedade/instituição. A implicação política do estudo de Alain Ehrenberg está em como equilibrar tal relação pendular, que se traduz na dicotomia entre oportunidade individual e proteção social, cujas representações sociais são opostas nas duas sociedades em análise. Para o autor, o equilíbrio de tal relação se torna necessário diante de uma nova configuração social que tem como princípio a autonomia e, assim, o espírito social comum da ação individual.

Procedendo dessa forma, Alain Ehrenberg efetua uma crítica do discurso sociológico crítico, em particular do francês, que mobiliza conceitos como neoliberalismo, precarização, sofrimento social, desinstitucionalização, psicologização e privatização das relações sociais atuais para sustentar que a “verdadeira sociedade”, segundo a formulação crítica do autor (Ehrenberg, 2012 pp. 15, 362, 397, 411), existia antes, no contexto do Estado-providência.

 

3.

Segundo tais análises, também chamadas pelo autor de “sociologias individualistas”, a suposta dissolução dos laços sociais pelo individualismo contemporâneo exacerbado constituiria o motivo fundamental do sofrimento psíquico dos indivíduos. Contra tal tese da “declinologia” francesa, segundo a qual o aumento do individualismo implica o declínio da sociedade, Alain Ehrenberg argumenta, na esteira de Émile Durkheim, que o indivíduo é, antes de tudo, social. Baseado também em Louis Dumont, o autor sustenta que o fato de se atribuir prioridade ao indivíduo não significa desaparecimento da interdependência e da sociedade.

O individualismo crescente é uma característica intrínseca ao processo social moderno, o que não significa que ele não seja motivo de inquietude e de mal-estar, como se observa, vale notar, desde as análises politicamente opostas de Émile Durkheim e de Karl Marx. No entanto, tomando distância do que chama ainda de “paradigma da aflição” (Ehrenberg, 2012, p. 176) e de “denúncia  apaixonada” (Ehrenberg, 2012, pp. 314, 339), segundo os quais a suposta crise do laço social constitui o fim da sociedade e o motivo do mal-estar generalizado, aí incluído, evidentemente, o psíquico, Alain Ehrenberg afirma que a sociedade individualista contemporânea é apenas uma configuração histórica de sociedade, em que há formas específicas de sofrimento psíquico como em qualquer outra sociedade.

Nas sociedades individualistas contemporâneas, não há o fim da sociedade, tampouco da obrigação social, que apenas se transmuta: se antes se impedia a autonomia, hoje se é obrigado a desenvolvê-la; se, nas sociedades disciplinares, a pergunta era “o que posso fazer?”, na sociedade da autonomia – que o autor caracteriza em sua obra mais recente pelo que designa de “individualismo da capacidade” (Ehrenberg, 2021, p. 50) –, a pergunta é “o que sou capaz de fazer?” (Ehrenberg, 2026, p. 8). Para o autor, portanto, o que se vê é uma reorganização normativa, em que há a subordinação da passividade (disciplina) à atividade (autonomia), não o fim do tecido social.

Sem aprofundar a análise e a implicação política que está em jogo, queremos destacar que Alain Ehrenberg reivindica que sua obra seja dissociada tanto das abordagens normativas predominantes no campo da análise sociológica da saúde mental quanto da ideia de causalidade do sofrimento psíquico a partir da sociedade capitalista contemporânea. O propósito de La société du malaise consiste, antes de tudo, em dissipar a ideia comum segundo a qual a massa de sofrimento psíquico significaria que nós não vivemos mais em uma “verdadeira sociedade”, bem como em ir além da ideia de que a sociedade causa o sofrimento (Ehrenberg, 2012, p. 17, 411).

 

4.

Em uma nota de rodapé do livro, Alain Ehrenberg (2012, p. 335) enfatiza a recusa da causalidade social do sofrimento psíquico ao criticar a perspectiva da patologia social de Axel Honneth – o qual, como se sabe, é um dos expoentes atuais da chamada Teoria Crítica da Escola de Frankfurt – e a apropriação (equivocada, aos olhos do autor de La fatigue d’être soi) que este realiza de sua obra. Note-se que a perspectiva da patologia social se inscreve, para Alain Ehrenberg, no discurso sociológico normativo dominante a respeito da relação entre sociedade e saúde mental.

Debatendo criticamente as categorias trabalho, sofrimento social, reconhecimento e precarização, em particular o argumento do “declínio do laço social” como causa do sofrimento psíquico atual, Alain Ehrenberg (2012, pp. 481-2, nota 78) afirma: “Honneth faz muito amavelmente referência aos meus trabalhos e eu lhe devo a tradução em alemão de meu livro sobre a depressão, para a qual ele me honrou com um prefácio”. No entanto, ressalta o autor: “Há um mal-entendido provavelmente devido às formulações precipitadas de minha parte, que é sobre o seguinte ponto: para mim, os sintomas não são causados pela sociedade, enquanto Honneth pensa o inverso”.

Ora, trata-se de um mal-entendido que acomete não apenas Axel Honneth. A ideia de que as formas de sofrimento psíquico atuais decorrem de transformações sociais a partir da referência explícita à sociologia da saúde mental de Alain Ehrenberg figura também, direta ou indiretamente, em muitos outros trabalhos de propósitos e alcances variados, entre os quais podemos destacar Bauman (2008, p. 121), Dardot e Laval (2016, p. 366) H. Rosa (2010, pp. 303-5) e, no Brasil, Safatle (2012; 2021, pp. 26-7, nota 14; pp. 43-4), Dunker (2021, p. 79), Kehl (2009, pp. 248, 271), a própria leitura que realizamos do autor em nossa pesquisa de doutorado (Corbanezi, 2021), entre muitos outros pesquisadores da área.

Com efeito, Pierre-Henri Castel afirma que o trabalho de Alain Ehrenberg é tomado pela maldição de uma série de mal-entendidos. Um deles, observa o autor no texto intitulado “Lire Alain Ehrenberg : une tâche impossible?”, seria o de atribuir a Alain Ehrenberg, se não a paternidade, o talento notável para descrever a ideia de que o aumento de depressão nas sociedades contemporâneas seria em razão das grandes modificações sociais em curso desde os anos 1960 (Castel, 2012).

O mesmo Castel já havia sublinhado o contrassenso difuso sobre a tese de Alain Ehrenberg em seu livro L’esprit malade : cerveau, folies et individus, publicado em 2009. Também em nota de rodapé, o autor afirma: “Contrariamente a um contrassenso difuso, a tese de Alain Ehrenberg não é que uma nova doença depressiva emergiria realmente nas condições sociais atuais. É que, em torno da depressão, uma representação coletiva original do mal-estar toma forma, e que ela é indissociável das mutações do individualismo contemporâneo” (Castel, 2009, p. 137).

 

5.

O argumento é que a depressão se tornou uma linguagem, uma forma de expressão obrigatória do mal-estar, tanto quanto a saúde mental positiva é uma expressão do bem-estar individual na vida social. O próprio Alain Ehrenberg (2010) adverte a respeito do mal-entendido difuso sobre sua obra em resposta à crítica de Robert Castel (2010) quando da publicação de La société de malaise.

Sua hipótese global sobre o sofrimento psíquico, insiste o autor, reside em uma mudança de estatuto social do sofrimento psíquico, e não em uma agravação da condição psicológica das pessoas em razão de uma determinada sociedade. Para Alain Ehrenberg (2012, p. 19), a saúde mental se tornou “a” linguagem contemporânea por meio da qual os indivíduos expressam suas relações sociais e seus graus de autonomia. Ao encontro da observação de P.-H. Castel, sublinhemos ainda que, em La société du malaise, Ehrenberg (2012) critica com frequência a insistência em atribuir ao neoliberalismo a causa do mal da sociedade contemporânea.

Por um lado, é verdade que o mal-entendido em torno de sua obra pode decorrer, como o próprio Alain Ehrenberg (2012, p. 482) afirma, de formulações pouco inequívocas de sua parte a respeito do problema da causalidade social das formas contemporâneas de sofrimento psíquico. Esse argumento pode ser plausível para a leitura da trilogia Le culte de la performance ([1991] 2011), L’individu incertain ([1995] 2003) e La fatigue d’être soi ([1998] 2000).

Note-se, contudo, que o próprio autor refuta tal argumento de causalidade atribuído ao seu estudo sobre a depressão, como se vê na passagem supracitada em referência à interpretação de Axel Honneth, bem como nas advertências de Pierre-Henri Castel a propósito da interpretação sociológica de Ehrenberg sobre tal patologia.

Por outro lado, queremos enfatizar que tal ideia é patente na produção sociológica mais recente do autor – especialmente em La société du malaise [2010], cuja tese é retomada também em La mécanique des passions: cerveau, comportement, société [2018] –, o qual continua, a despeito disso, sendo mobilizado como referência para a crítica da sociedade capitalista em razão dos problemas de saúde mental. Segundo Ehrenberg (2026, p. 4), “[a] ideia de que a sociedade faz sofrer é uma ideia social, ela não é uma ideia sociológica”.

 

6.

Como se nota, o debate sobre o tema é atravessado por questões teóricas, epistemológicas e políticas fundamentais para a sociologia. Ao explicitar a oposição entre uma abordagem normativa e uma descritiva, o próprio Ehrenberg (2012, p. 360) adverte como “ponto decisivo” o fato de que a análise política e moral é bastante diferente segundo o tipo de epistemologia que se emprega para analisar a realidade da relação saúde mental e sociedade.

Teoricamente, está em jogo a clássica relação indivíduo-sociedade e todas que dela decorrem (subjetivismo-objetivismo, interioridade-exterioridade, ação-estrutura, micro-macro); epistemologicamente, estão em disputa os critérios sociológicos e científicos para descrever, explicar e  avaliar a relação entre saúde mental e sociedade na atualidade; politicamente, a partir do tema da saúde mental e da ideia de causalidade, debate-se a boa forma de se viver em sociedade e, dessa maneira, concorrem perspectivas mais ou menos conservadoras e radicais a respeito da transformação social.

Dessa forma, debatido sociologicamente, o tema sociedade e saúde mental permite evidenciar a ideia consensual de que o dissenso é endêmico no campo das ciências humanas e sociais, em geral, e no da sociologia, em particular (Alexander, 1987). O mesmo acontece no subcampo da sociologia da saúde mental, ainda que prevaleçam argumentações diversas sobre a causa social do sofrimento psíquico.

Em que pese a hegemonia no campo da sociologia da saúde mental a respeito da causalidade social do sofrimento psíquico individual, buscamos evidenciar como tal correlação não é absoluta a partir da análise da produção recente da sociologia da saúde mental de Alain Ehrenberg. A discussão pode contribuir para uma explicitação da posição do autor no campo específico de pesquisa, visto que sua obra é frequentemente mobilizada para fundamentar os argumentos da causalidade e da crítica ao neoliberalismo, os quais são refutados pelo autor.

O debate ainda importa para a sociologia em razão das questões e dos dissensos teóricos, epistemológicos e políticos que estão em disputa, bem como pelo fato de que tal área do conhecimento é cada vez mais convocada para participar das discussões sobre os problemas de saúde mental na atualidade.

Nesse sentido, considerando a complexidade do fenômeno da saúde mental, a discussão teórica sobre o tema pode indicar também que a explicação exclusivamente causal pode acabar por produzir um reducionismo sociológico metodologicamente semelhante ao reducionismo biológico da psiquiatria criticada pela sociologia. Não obstante a inequívoca inclinação ao social apreendida desde os clássicos da nossa disciplina e a inevitável crítica ao reducionismo biológico operado pela psiquiatria dominante, a polêmica em análise pode não nos fazer esquecer do “homem total” de Marcel Mauss (2003a), segundo o qual somos a um só tempo biológico, psicológico e social.

Eis uma outra maneira de aludir à unidade biopsicossocial, tão em voga no discurso contemporâneo da saúde mental, ainda que menos interdisciplinar na prática.[1]

*Elton Corbanezi é professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Autor de Saúde mental, depressão e capitalismo (Unesp) [https://amzn.to/3EfESTk].

Referências


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Bauman, Z. (2008), Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro, Zahar.

Castel, P-H. (2009), L’esprit malade: cerveaux, folies, individus. Paris, Les Éditions d’Ithaque.

Castel, P-H. (2012), “Lire Alain Ehrenberg: une tâche impossible?”. La Revue Lacanienne. Éditions Ères, 13: 129-134.

Castel, R. (2010), “L’autonomie, aspiration ou condition?”, https://laviedesidees.fr/L-autonomie-aspiration-ou.

Corbanezi, E. (2021). Saúde mental, depressão e capitalismo. São Paulo, Ed. Unesp.

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Entrevista a Robert Maggiori. (2021), “Malaises avec Alain Ehrenberg: Qu’est-ce qui nous arrive?”. Philomonaco, https://www.youtube.com/watch?v=cf4Kf32TveQ.

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Mauss, M. ([1921] 1969), “L’expression obligatoire des sentiments”. In: Mauss, M. Œuvres, 3, Paris, Minuit, pp. 269-278.

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Safatle, V. (2012), “Perto demais da redenção: depressão, flexibilidade e fim da ética do trabalho”. In: Novaes, A. (org.). Mutações: elogio à preguiça. São Paulo, Edições Sesc sp, pp. 385-404.

Safatle, V. (2021), “A economia é a continuação da psicologia por outros meios: sofrimento psíquico e o neoliberalismo como economia moral”. In: Safatle, V.; Silva Jr., N.; Dunker, C. (orgs.). Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico. Belo Horizonte, Autêntica.

Nota


[1] Trecho do artigo “Sociedade e sofrimento psíquico: o discurso sociológico dominante e a sociologia da saúde mental de Alain Ehrenberg”, publicado na Revista Tempo Social(https://revistas.usp.br/ts/pt_BR/article/view/240480

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