
Foi-se o tempo em que nós brasileiros esperávamos os jogos da Seleção Brasileira com entusiasmo e empolgação. Os jogos agora são a toda hora e realizados, no caso dos amistosos, quase sempre em Londres ou em Doha, no Qatar. Ou em qualquer outro lugar, menos no Brasil para os brasileiros. Os jogos não são marcados para a nossa torcida estar perto da nossa seleção, e sim para a CBF arrecadar alguns milhares de dólares. Por isso, o interesse, a fantasia pela seleção canarinho, tem desaparecido ao longo dos anos. Isso é ruim, mas o Sr. Ricardo Teixeira pouco se importa com o nosso futebol, com a qualidade do jogo e muito menos com os torcedores brasileiros.
Ontem (17), o time treinado por Mano Menezes jogou bem, mesmo sendo derrotado pela Argentina por 1 a 0, com um belo gol de Lionel Messi. O time de Mano joga ofensivamente, como todos os brasileiros e toda a imprensa pede há anos. Os jogadores testados jogaram bem. Victor foi muito bem no gol. Merece destaque a zaga formada por David Luiz e Thiago Silva, dois belos zagueiros. Daniel Alves está jogando muito bem e não será fácil para Maicon lhe tomar a vaga na lateral direita.
Destaque negativo para Douglas que, num descuido, perdeu a bola que proporcionou contra-ataque resultando no gol argentino. Douglas é bom para clube, não para seleção. Não dá para entender também a insistência com Robinho, que não bastasse jogar agora ganhou o posto de capitão da nova seleção brasileira. Ainda temos que ouvir de um comentarista de TV o seguinte prognóstico: “Robinho não tem mais a velocidade de antes”. Como?
Ele tem apenas 26 anos e já não tem a velocidade de antes? A verdade é que Robinho é imaturo,
mimado e não evoluiu como profissional. Talento ele tem de sobra, mas não é nem de longe o jogador que todos esperavam.

Como muito bem disse Tostão na sua coluna da semana passada, a convocação de Ronaldinho Gaúcho contraria o espírito de renovação na seleção. Não que Ronaldinho esteja velho, ou que não possa ou não deva ser convocado. Mas ele é de outra geração, e se é para renovar ele não deveria ser chamado. Mas a pressão em torno de seu nome é grande, principalmente por parte dos patrocinadores, pois ele é um ótimo garoto-propaganda.
Mesmo longe de seu ápice, Ronaldinho é melhor e superior à grande maioria dos jogadores da atualidade. Ontem não foi magistral, tampouco decepcionou. Oscilou bons e maus momentos. Quase fez um golaço de calcanhar, lance criticado pelos comentaristas que tanto pedem pelo futebol arte. Difícil levar estes comentaristas a sério. Eles queriam que Ronaldinho dominasse a bola e fizesse o gol. Seria ótimo. Mas esta imprevisibilidade, a sua capacidade de fazer diferente, de improvisar, é que fez dele um dos maiores craques do futebol de todos os tempos. Palmas para a criatividade de Ronaldinho.
O resultado não condiz o que foi o jogo. Mano vai montando uma boa seleção. O jogo foi decidido nos segundos finais, na capacidade individual do maior craque da atualidade. Messi faz sim a diferença, é bom vê-lo jogar. Em apenas um lance deu a vitória à Argentina. Os hermanos com Zanetti e Heinze nas laterais não podem sonhar com dias melhores.

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Alguém precisa avisar ao bandido que comanda a CBF que a próxima Copa será no Brasil, e que, tanto a torcida brasileira quanto a Seleção, precisam se reacostumar um com o outro.