“O movimento social não deve ser tratado como caso de polícia, e, sim, como movimento político reivindicatório. Havendo disposição para diálogo, dentro de um princípio de mediação de conflitos, é perfeitamente possível fazer o acompanhamento de uma manifestação pública, de movimentos sociais, sem o uso desmedido da força”, comentou Vargas.
Depois de reunir-se com sete de seus antecessores na pasta em São Paulo para fixar uma posição conjunta contra a redução da maioridade penal, Vargas criticou “o uso desmedido da força e uma violência desnecessária” na atuação da Polícia Militar do Paraná. No entanto, o ministro antecipou que deverá analisar o material sobre o episódio para que sejam adotadas medidas sobre violações de direitos humanos cometidos no protesto.
“A partir dos dados que chegarem à ouvidoria da secretaria, em cima dos fatos concretos, nós analisaremos o que pode e deverá ser feito”, completou Vargas. Por sua vez, o ex-ministro de Direitos Humanos, Paulo Sergio Pinheiro, da gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), disse à Agência Efe que a repressão em Curitiba contra os professores foi um método “parecido com uma ditadura”.
“É lamentável que o governo estadual não demonstre que tenha competência para lidar com protestos pacíficos”, ressaltou. A manifestação dos professores reuniu cerca de 20.000 pessoas no centro de Curitiba e foi convocada em protesto contra a modificação das regras de aposentadoria do serviço público.
O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), responsabilizou os manifestantes pelos distúrbios e defendeu a ação policial, garantindo que o tumulto foi gerado por “black blocs” A polícia deteve 23 manifestantes, alguns deles supostamente relacionados com atos violentos cometidos em novos protestos, e todos eles foram postos em liberdade após assinar uma declaração de responsabilidade.
Cerca de 200 pessoas ficaram feridas e 65 deles tiveram que receber atendimento médico em hospitais, das quais 21 são policiais e 44 manifestantes, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
