O camisa dez da Gávea

Pet no triQuando Kleber Leite e sua trupe de aproveitadores do Flamengo, acompanhados pelo então treinador rubro-negro Cuca, fizeram o ridículo papel de boicotar a apresentação do sérvio Petkovic, achei a cena patética. Mas vindo de quem veio não me surpreendeu muito, pois é tamanho o amadorismo e canalhice dessa gente – e que ainda se dizem torcedores do Flamengo -, que não é nada de mais para eles desrespeitarem Petkovic. Justo o jogador que, com sua imensa categoria, deu ao clube, há oito anos, o tricampeonato estadual, marcando aquele inesquecível gol de falta contra o Vasco da Gama no Maracanã.

Também na imprensa correram os comentários dos sábios do Futebol, de que o Pet só estava voltando por causa de grana, que era um mercenário, que já estava acabado e velho para o futebol “moderno”. Jornalistas que, assim como os dirigentes na época, nunca chutaram uma bola, nunca suaram a camisa pelo Flamengo ou qualquer outro Clube, jamais marcaram um gol num Maracanã lotado, deixando a maior torcida do mundo extasiada com sua arte. Mas que, ainda assim, se acharam no direito de duvidar da capacidade, da astúcia, e principalmente do talento do único jogador, a meu ver, que honrou a camisa dez do Fla desde que Zico, o maior de todos, deixou os gramados décadas atrás.

Apesar de tamanha desconfiança, Pet chegou quietinho e treino a treino, jogo a jogo vem mostrando para todos que ainda é muito útil ao Flamengo, ao futebol, aos torcedores desse time que, desde sua saída, careciam de um jogador com sua maestria, seu toque refinado, um jogador fantástico.

Como na música de Jorge Ben para Zico “… Ele tem uma dinâmica, física, rica e rítmica
seus reflexos lúcidos…”. Apesar de Adriano ter ficado com a camisa dez, coisas de marketing e de preferência do Imperador, no coração dos rubro negros Petkovic é hoje o único e verdadeiro “camisa dez da Gávea”. Desde o jogo contra o Goiás quando marcou um golaço no Serra Dourada, vem sendo elogiado pelos analistas das câmeras, das Rádios e dos jornais, que agora dizem: “é, eu sempre disse que o Pet poderia ser útil”, “nossa o gringo está correndo como um garoto”, “ele foi o melhor em campo”. Enfim, todas as coisas que já estamos acostumados a ouvir quando um craque contraria a lógica, o pensamento uniforme.

Pet, para mim, é sinônimo de um maravilhoso futebol e apesar da fama de mal humorado, sempre trabalhou com muito profissionalismo e dedicação. Encantou e, para a alegria dos amantes do esporte, continua a encantar a torcida do mengão, os freqüentadores do Maracanã e de qualquer estádio em que o Flamengo se apresente.

Como diz a música, seus “lançamentos, dribles desconcertantes, chutes maliciosos são como flashes eletrizantes estufando a rede num possível gol de placa”.

Petkovic é um sérvio com o talento de brasileiro. É craque. Um artista que encanta multidões com a bola nos pés, que em boa forma física, com sua garra e inspiração, tem o poder de desconsertar as defesas e atordoar os zagueiros adversários.

Coisas só possíveis para um camisa dez da Gávea.

11 comentários sobre “O camisa dez da Gávea”

  1. “Petkovic é um sérvio com o talento de brasileiro”
    O texto seria perfeito se fosse retirada essa frase, que pra mim é de péssimo gosto.
    O bom futebol não têm nacionalidade, haja visto que se fôssemos montar uma SELEÇÃO DO MUNDO, com jogadores em atuação no mundo, poucos brasileiros entrariam na lista.
    Acredito que só o Júlio César e o Kaká.
    Mas fora essa frase o texto é magistral.

  2. Existem muitas coisas ruins e boas no nosso pobre e maltratado futebol!
    Dias atrás li uma pesquisa (não sei aonde) que mostra que o Flamengo é o time que mais ficou na zona de rebaixamento desde que foi instituído o campeonato de pontos corridos, que em minha opinião é a melhor forma! Só que o Mengão jamais teve esse desafio a enfrentar, e é bem provável que este ano não enfrentará essa mal!
    Provos Brasil

  3. Adorei o texto Alexandre mas também concordo com o comentário do beiço de que o talento nao tem fronteiras. Prova disso é que o melhor jogador que ví jogar até hoje foi Maradona. Mas o Pet é na minha opinião ainda o melhor camisa 10 do Brasil, e olha que eu não sou flamenguista.

  4. Caro Alexandre, fui um dos que duvidaram e criticaram a contratação do Pet. Bem, queimei a língua. E como foi bom!!! No entanto, minha desconfiança foi baseada na própria biografa do sérvio. Pet, depois de fazer o antológico gol de falta contra o Vasco, teve grandes atuações na Copa dos Campeões com a camisa do Fla e só. Desde então, não jogou bem no Flamengo.
    Mais tarde, teve duas boas passagens pelo Vasco. De lá para cá, o meia atuou por Fluminense, Santos, Goiás e Atl Mineiro, clubes aos quais proporcionou pouco futebol e bastante despesa. Daí, veio a minha desconfiança, que seguiu a lógica. Um jogador, já com idade avançada, e que nas últimas temporadas apresentava um futebol pífio só poderia suscitar um sentimento: desconfiança.
    No entanto, o que importa agora é se Pet terá a devida regularidade para ajudar a conduzir o Fla às primeiras posições do Brasileirão.

  5. Me lembra a final da década de 60 e inicío de 70. Onde os times no mínimo existiam tres ou quatro Pet. Não posso deixar de ser saudosista. Adriano se for esperto, é só cuidar da parte física que vai ficar na cara do gol a todo momento. Viva o futebol arte

  6. É inegável a abilidade e categoria do servio porém diante desta situação caotica que anda o futebol carioca, apenas fasso uma pergunta. O pet é mesmo tudo isso no momento atual?ou apenas está assima da média destes bondos de jogadores medilcres que se apresentam em grandes clubes cariocas.

  7. Sem dúvida o Pet ainda é um dos poucos “romântico” do futebol-arte. Às vezes,penso em assistir a alguma partida de futebol do Flamengo, logo me vém a imagem do Petkovic na idéia.E o Pet veio para o Flamengo por querer, e a torcida o acolheu.

  8. Sei que pet não teve uma boa passagem por santos,goiás e atlético mineiro,mas no flamengo pet encontrou a alegria de jogar,e a cada partida que passa pet parece encarar como se fosse a última,afinal o sérvio já está com 37 anos e infelizmente um dos últimos craques do futebol mundial irá pendurar as chuteiras ,mais suas jogadas gêniais e sua classe irá perdurar por muitos e muitos anos,e se pet nunca jogou na seleção brasileira azar da seleção brasileira.

  9. Caro Alexandre, bom texto, com uma veia irônica arrasadora para os cartolas. Sou fã do PET desde quando eu morava no Rio, vi sua estreia e percebi que, enfim, o Flamengo tinha o craque depois de Zico. O Flamengo tem tudo para ser campeão, com a volta do Adriano.

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