Madrugada calada, boteco de cantos, um bêbado fala
em meio a risadas e prantos.
Um burguês em dourado, num canto da sala,
amontoado de nojo, catarros come com a mão.
Uma mulher, instalada em um banco,
toma um gole de trago, aquece seu sexo já frio.
No calor gelado do homem em pranto,
ouve-se o grito calado
de um galo que canta,
soma de sarro, gelo e pranto.
O bêbado, no embalo
amontoa-se a um canto.
A noite expira, com o crítico.
O quadro se fixa
quando o dono da obra
fecha a porta de aço,
como se fosse Picasso.
*andreschlederschleder@gmail.com
Imagem (Internet): “Consumidor de Absinto” – Pablo Picasso, pintor espanhol (1881-1973)
