
A Austrália propôs essa semana que as plataformas sociais sejam obrigadas a permitir que os usuários escolham entre um feed algorítmico e outro composto apenas por contas que realmente seguem.
A proposta ainda está em discussão, mas levanta uma questão importante: quanto controle queremos ter sobre aquilo que vemos?
Você preferiria um feed apenas com perfis que escolheu seguir? Ou um modelo híbrido, em que uma porcentagem do conteúdo ainda viesse de contas desconhecidas, recomendadas pelo algoritmo?
Se esse tipo de regulação se espalhar, seguidores e relações diretas com o público podem voltar a ganhar importância depois de anos em que os algoritmos de recomendação reduziram o peso do número de seguidores.
Talvez a questão central seja outra: como devolver ao cidadão a capacidade de decidir o que quer ver, sem transformá-lo em prisioneiro de uma bolha criada pelas próprias escolhas?
Gustavo Barreto, 44, é jornalista com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ, com 16 anos de experiência em organismos internacionais. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira. Saiba mais: https://gustavobarreto.me
