Lutar, resistir, acreditar e sonhar | Por Sergio Araujo

Com referências a Jared Diamond e Cecília Meireles, o texto alerta para os perigos do extremismo, da intolerância e da concentração de poder, destacando a importância do voto na defesa da democracia.

Ato em Porto Alegre | Foto: Ricardo Stuckert

Do Rede Estação Democracia – RED | Por Sergio Araújo | Publicado em 23 de outubro de 2026 às 11:00 | Editado em 21 de outubro de 2026 às 15:50

“Pelos caminhos do mundo, nenhum destino se perde: há os grandes sonhos dos homens, e a surda força dos vermes”. Cecília Meireles

De acordo com Jared Diamond, bioquímico e fisiologista americano, considerado um dos 100 intelectuais mais relevantes deste século e autor do livro “Colapso – Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso”, a extinção de uma sociedade depende da combinação de cinco fatores: destruição do meio ambiente, alterações climáticas, crises nas relações comerciais, guerras, e o mais importante de todos, a estupidez.

Diamond cita como exemplos dessa destrutiva conjugação as extintas civilizações Maia, Asteca e Inca.

Pois bem, transportemos essa tese para o que temos observado, hoje em dia, e iremos constatar que estamos diante de uma nova ameaça civilizatória.

A crise climática e a devastação ambiental caminham lado a lado com o negacionismo de boa parte dos líderes das grandes potências internacionais.

Da mesma forma as crises nas relações comerciais e as guerras conjugam uma parceria funesta entre causa e consequência.

Por fim, a estupidez, último elo da cadeia destrutiva, avança a galope na besta do extremismo de direita, arrebatando mentes numa profusão de causar inveja aos hipócritas da recente pandemia.

Na luta contra a retrocidade civilizatória, o Brasil, nos governos progressistas, tem sido uma ilha de resistência, sobrevivendo às tentativas de insurreição nos governos Collor e Bolsonaro, para nos fixarmos apenas no período da redemocratização.

Pois numa amnésia histórica inexplicável e inadmissível, especialmente no que tange aos horrores praticados pelos regimes totalitários, como foi o fascismo e o nazismo, ainda há quem acredite que o radicalismo seja a solução para todos os problemas.

São os que abominam os direitos humanos e são intolerantes com as diversidades étnico-racial, de gênero e orientação sexual, cultural e religiosa, etária ou geracional, das pessoas com deficiência e acessibilidade, e as diferenças cognitivas.

Inacreditavelmente as pesquisas para a eleição presidencial no segundo turno apontam para a possibilidade do medo vencer a esperança, numa escolha inconcebível que, caso aconteça, irá adquir feição de maldição para um futuro previsível de anos de terror, ansiedade, raiva, frustração e tristeza profunda.

Flávio Bolsonaro, se chegar ao Palácio do Planalto, terá a seu dispor um cenário de “tempestade perfeita”, pois contará com maioria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal e também no Supremo Tribunal Federal, já que irá indicar quatro ministros que se somarão aos dois indicados por seu pai.

Embora se apresente como tarefa hercúlea, ainda há tempo para evitar que a tragédia se estabeleça. Numa disputa polarizada todo voto é importante. As vozes das ruas têm ecoado cada vez mais forte e a conscientização de que Lula representa a salvação da democracia ganha corpo e se multiplica.

A hora é agora, a batalha é domingo e a vitória será de todos e todas. Às armas, cidadãos.


Foto de capa: Ricardo Stuckert

Sobre o autor

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Sergio Araujo
Jornalista e Publicitário

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