
Em seu discurso do Dia da Independência, Lula da Silva afirmou a soberania brasileira, declarando que nenhum país estrangeiro tem o direito de decidir com quem o Brasil comercializa.

Por ALMA Plus Online | 6 de setembro de 2026
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a soberania nacional em seu discurso do Dia da Independência, no domingo, e questionou as pressões comerciais dos EUA sem mencionar Donald Trump em nenhum momento .
“Defendemos o livre comércio. Nenhum país estrangeiro tem o direito de nos dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender. Somos um país soberano e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém”, afirmou ele no discurso transmitido pelo rádio e pela televisão.
Não somos uma colônia e não seremos colônia de ninguém .
— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil
O presidente acrescentou que a natureza pacífica do Brasil não significa “curvar a cabeça diante de potências estrangeiras” e definiu o que entende por soberania: a capacidade de um país de defender “seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, seus recursos e sua população contra interesses estrangeiros”, mas também de oferecer a seus cidadãos as condições para alcançar sua própria independência. Essa dupla dimensão — a externa e a social — é o que molda seu discurso.
Quais tarifas os Estados Unidos impuseram ao Brasil?
As declarações de Lula vêm após o governo Trump ter imposto uma tarifa de 37,5% sobre uma parcela das exportações brasileiras. Essa porcentagem resulta de duas sobretaxas aplicadas no final de julho: uma de 25% por supostas práticas comerciais desleais e outra de 12,5% relacionada à alegada omissão em proibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Ambas foram baseadas no Artigo 301 da Lei de Comércio de 1974.
O Brasil já havia rejeitado formalmente essas medidas. Em uma reunião recente com o Representante Comercial dos EUA, os Ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento denunciaram o “tratamento discriminatório” que o país recebe e afirmaram que as decisões unilaterais de Washington “não são compatíveis com as regras do comércio multilateral”, acrescentando que as justificativas apresentadas “não correspondem às práticas efetivamente adotadas pelo Brasil”.
As riquezas que estão em jogo
Um dos trechos mais significativos do discurso foi o inventário de recursos estratégicos que Lula apresentou ao argumentar que a riqueza natural do país deveria ser usada para impulsionar seu desenvolvimento econômico e social.
| Terras raras | O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, que são essenciais para as indústrias tecnológica e militar. |
| Água doce | Contém a maior fonte de água doce do planeta. |
| Óleo | Uma reserva recém-descoberta na costa amazônica. |
A lista não é acidental nem meramente comemorativa; as terras raras são hoje um dos principais focos da disputa geopolítica global: são indispensáveis para a fabricação de tudo, desde telefones celulares e veículos elétricos até sistemas de orientação de mísseis, e seu fornecimento está concentrado em poucos países.
Soberania como tema central da campanha
O discurso está firmemente enraizado na disputa eleitoral. Lula busca um quarto mandato não consecutivo nas eleições de outubro e lidera as pesquisas com 38% dos votos, seguido pelo senador de extrema-direita Flávio Bolsonaro com 33%, segundo o Datafolha . Em um possível segundo turno, o presidente obteria 46% contra 44% do seu rival.
Para a América Latina , a mensagem transcende a situação atual no Brasil. A frase “não seremos colônia de ninguém”, proferida no Dia da Independência pelo presidente do maior país da região, revive uma tradição de afirmação de soberania que abrange dois séculos da história latino-americana.
E ele faz isso num momento em que essa soberania está novamente sob pressão: tarifas como instrumento de punição política, interferência flagrante em processos eleitorais e disputas sobre recursos estratégicos. O discurso de Lula não defende um slogan abstrato, mas sim a capacidade concreta de um país de decidir com quem comercializa e o que faz com o que jaz sob seu solo.
