Pela 32º edição, realiza-se, nas mais diversas áreas do Brasil, mais um “Grito dos Excluídos e Excluídas”, um relevante acontecimento social resultante das frutuosas “Semanas sociais”, promovidas pela CNBB, entre 1993 e 1995, quando ainda convivíamos com uma geração de Bispos profetas. Durante a chamada Semana da Pátria, culminando no dia 07 de Setembro, após fecundos preparativos, e inspirados em um tema alusivo aos principais desafios da conjuntura brasileira, as classes populares tomam as ruas de centenas de municípios brasileiros, animadas pelas Pastorais Sociais, os Movimentos Populares e os Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras, a protestarem e reivindicarem o cumprimento efetivo de políticas públicas.
Neste ano, o Grito dos Excluídos e Excluídas tem por tema “Vida em Primeiro Lugar: Na defesa da Terra, da Paz, e Moradia, erguemos a voz: Mulheres vivas e Soberania!” a edição do Grito deste ano se realiza em uma conjuntura extremamente distópica, seja em escala mundial – célere avanço das forças nazi-fascistas liderado pelo Império americano-sionista, inclusive espalhando-se pela América Latina, seja pela grave ameaça perpetrada mais uma vez, a frágil “Democracia” brasileira, mais uma vez ameaçada pela continuidade golpista, mais do que antes favorecida pela sucessão de gigantescos escândalos financeiros promovidos pela “fina flor” da classe dominante: as grandes plataformas, os bancos privados, as diversas instâncias do Estado, com a cumplicidade da mídia hegemônica.
Refletindo sobre o sentido do Grito deste ano, tratamos de realçar as inquietações maiores contidas no lema da presente edição. A reafirmação de “Vida em primeiro lugar!” segue insistindo e resistindo ao sistema de morte – dos humanos e demais viventes -, em permanente agressão monstruosa aos nossos biomas, bem como às classes populares, das quais as Mulheres constituem a maioria, quer na sociedade, quer nas Igrejas, sem que tenhamos sinais promissores de efetiva mudança tanto na sociedade quanto nas Igrejas. Tanto nos espaços societais quanto no âmbito das próprias Igrejas cristãs, o que mais constatamos é a vasta prevalência de um silêncio ensurdecedor, dando a entender ser inútil esperar mudança mais consistente da parte da hierarquia das Igrejas Cristãs – um claro convite aos diversos Movimentos de Mulheres a ensaiarem passos mais ousados de reverem seu apoio substantivo as estruturas eclesiásticas vigentes. O que seria das Igrejas Cristãs sem a participação das mulheres? Com relação mais direta ao crescimento, no Brasil e alhures, dos índices de feminicídios e de outras formas de violência contra as mulheres, não temos o direito de nos resignar, mas o dever de nos juntarmos aos diversos Movimentos de Mulheres, espalhados pelo Brasil e pelo mundo, a exemplo da Marcha Mundial de Mulheres, da Marcha das Margaridas, do Movimento das Mulheres Indígenas, Movimento das Mulheres Negras, entre outros.
Outra bandeira constante do lema do Grito deste ano acena para a luta pela Terra, no campo e na cidade. Já não é possível tolerar que em um país tão extenso, apenas pouco mais de 20% das terras agrícolas estejam cuidadas por quem nelas vive e trabalha: os trabalhadores e trabalhadoras da Agricultura Familiar. Não é aceitável que cerca de 80% das Terras Agricultáveis sejam controladas por uma pequena minoria da população, detentora-mor das riquezas do Agronegócio, que envenena o subsolo, os rios, a Terra, as plantas e os animais, inclusive os seres humanos. Menos ainda aceitável por conta dos gravíssimos conflitos daí recorrentes, haja vista os registros de assassinatos e de conflitos registrados pela CPT e pelo CIMI.
Moradia constitui outro sonoro grito. Já não é possível tolerar a existência de tanta gente sem casa, em um país tão rico em terras, em minérios, em florestas, em água, etc. Conforme dados de pesquisas feitas no âmbito da UFMG, e divulgados pela Agência Brasil, lidamos com dados escandalosos: eis que mais de 365 mil pessoas estão em situação de rua no Brasil. Como não reconhecer a relevância social do trabalho daqueles e daquelas que, pelo Brasil afora, a exemplo de Pe. Júlio Lancellotti que debatem dia a dia, ao lado do povo de rua, lutando pelo reconhecimento de sua dignidade?! E o que dizer de milhares de casas e apartamentos fechados, durantes longos períodos, apenas para atenderem ao luxo de famílias ricas? De fato, o problema de moradia constitui uma de nossas tremendas chagas sociais.
A luta por soberania constante, o lema desta trigésima segunda edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, resulta ainda mais urgente, nesta quadra dantesca de crescentes ameaças do Império Americano-Sionista à autonomia dos Povos Latinoamericanos. Não bastassem suas investidas a tantos Países Latinoamericanos, eis que também o Brasil se inclui como o próximo grande alvo dos ataques imperialistas, visando à pilhagem de nossas riquezas, especialmente de nossas terras raras. Cenário ainda mais tenebroso, quando sabemos a enorme rendição dos candidatos da Direita, em cínico apoio ao projeto imperialista.
Ajudemos a ampliar a Força do Grito, de todas as formas ao nosso alcance!
João Pessoa, 07 de Setembro de 2026.
