
Crédito: José Cruz/Agência Brasil
Posicionamento firme da entidade diante de ataques e da manipulação religiosa reafirma seu compromisso histórico com a verdade e a justiça social.
Autor: Paulo Henrique Arantes | Brasil 247 | Publicado em 30 de setembro de 2026 às 08:42
Este jornalista nutre forte simpatia pela parcela progressista da Igreja Católica, que defende excluídos, critica opressores, condena preconceitos, ataca discriminações, combate a desigualdade e denuncia os privilégios. É a Igreja de Júlio Lancellotti, hoje, e de Paulo Evaristo Arns, ontem. É a Igreja das Comunidades Eclesiais de Base, da Teologia da Libertação, de Leonardo Boff. É a Igreja dos Papas João XXIII e Francisco. Essa Igreja Católica sobrevive, ainda que não unanimemente, no âmbito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, a qual, agredida por Flávio Bolsonaro, engrandece-se.
É sintomático que aqueles que pregam o ódio e a violência e que destilam preconceitos de raça e de gênero sejam os que mais utilizam a religião no exercício da política. O jogo deles é o do vale-tudo para comover os incautos. A turma vai de Bíblia na mão e revólver na cinta. Entre seus alvos, Nossa Senhora — quem não se lembra do pastor dando pontapés na imagem da Santa?
Parêntesis: Flávio Bolsonaro não disse que removeria Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil se eleito presidente, mas a hipótese de que tente fazê-lo é mais que possível — é provável, como sugerem suas falas pregressas e, especialmente, as do seu entorno religioso.
Esse é um papel político louvável, que os verdadeiros sacerdotes devem exercer por obrigação cristã. Essa missão pastoral requer a coragem de participar da contenda eleitoral exigindo dos candidatos — de todos eles — que assumam compromisso com a reversão dos quadros de miséria. Sua tarefa não é, definitivamente, usar o nome de Deus para fazer proselitismo partidário junto aos fiéis.
No Brasil convivem religiões diversas, num ecumenismo que sugere fraternidade e respeito. Tal característica brasileira está sendo vilipendiada por uma distorção aberrante da palavra divina e pela utilização do nome de Deus em cima de carros de som e em meio a estímulos de ódio. Pregadores argentários autoproclamam-se enviados de Deus numa contradição absoluta ao que nos ensina o Antigo Testamento, em Êxodo 20, versículo 7: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão”.
O caldeirão de falsa religiosidade em que a campanha eleitoral está jogada aceita tudo, desde promessa de salvação a quem votar em determinado candidato até inculcação de temor por eventual vitória do demônio, encarnado em outro postulante. Como chegamos a esse ponto? Por que tanta gente acredita em tais absurdos?
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