Um ponto no oceano

Mar Mediterrâneo_Grécia (Dreamstime)

Entre o céu, a terra e o mar,
não vejo ninguém.
Nesse momento, nem eu estou lá.
Existe um ponto de pedra no oceano
onde as águas batem sem cessar.
O azul da água se confunde com o azul do céu;
fundem-se numa mesma aliança
de infinitude, real realeza
desse planeta azul,
lugar de força, paz e luz,
que as armas dos poderosos podem destruir —
esses e outros locais vulneráveis
da Mãe Gaia, que nos recebeu
como um educandário divino,
com provas, expiações e aprendizado,
onde poucos serão aprovados.

Ana Amélia Guimarães
meliaguima@gmail.com

3 comentários sobre “Um ponto no oceano”

  1. As armas dos poderosos podem destruir em segundos o que a natureza levou milhares de anos para compor, o planeta azul vive sob a ameça de quem mais deveria protegê-lo, a espécie humana. Insensatos! Por ganância e egoísmo destroem sua mãe e morada. Belo e oportuno trabalho, Ana Amélia, aplausos.

  2. Ana Amélia, sua poesia toca em algo muito profundo: a dualidade entre a grandiosidade eterna da natureza e a fragilidade da nossa passagem por aqui.

    Há uma beleza melancólica nesse cenário onde o “eu” se dissolve na imensidão do horizonte. É como se, ao observar o ponto de encontro entre o céu e o mar, a nossa individualidade ficasse pequena demais para ser mantida, e acabássemos nos tornando parte do todo. Bravíssimo!!!

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