Partilha de textos e experiências costuma ter um efeito salutar. Mormente em espaços confiáveis. Hoje me aconteceu de ir comprar comida no restaurante do bairro, e sentir algumas sensações desagradáveis.
Ria comigo mesmo. Medo de ser agredido. Deboche. Estranheza. ¡Tantos anos passados, e ainda assim permanecem os reflexos defensivos! Respirei fundo.
Conversei brevemente com um vivente que aguardava, como eu, a abertura do restaurante. Escutei com atenção e simpatia as falas de duas mulheres de 60+ que comentavam sobre os medos de uma terceira que estivera até pouco no local.
Assim que os veteranos entramos, na exata hora das 11h da manhã, o meu incômodo começou a diminuir. O local me é familiar. Comecei a me desarmar um pouco. Ainda rio comigo mesmo.
Não há ameaça de nenhuma espécie, mas a lembrança de medos reais ou imaginários permanece. Marcas todos temos, lembrou Adalberto Barreto nas Ocas do Índio, no congresso de TCI em setembro passado. Todos temos. Se não tivéssemos histórias, não estaríamos aqui.
(20-03-2026)

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
