
Implementado pelo governo Lula em 2003, programa já beneficiou mais de cinco milhões de pessoas e mudou forma de enfrentar a seca no Sertão.
São Paulo, 20 de agosto de 2026, às 15:00
Há 23 anos, o governo Lula iniciava a implementação do “Programa Um Milhão de Cisternas” (P1MC). O objetivo central do programa era garantir a segurança hídrica das famílias que vivem no Semiárido brasileiro, uma região historicamente marcada por secas prolongadas e por períodos de grave escassez de água. O programa promoveu a construção em larga escala de cisternas de placas de cimento, uma solução de baixo custo que transformou a vida de milhões de pessoas e fortaleceu a autonomia das comunidades rurais.
O “Programa Um Milhão de Cisternas” surgiu a partir de uma iniciativa popular dos próprios moradores do Semiárido nordestino. Sua criação está diretamente ligada à III Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP-3), realizada em 1999 na cidade de Recife, Pernambuco.
Em um evento paralelo à conferência oficial, mais de 3.000 organizações da sociedade civil, incluindo ONGs, sindicatos, cooperativas, associações comunitárias e movimentos sociais, se reuniram para fundar a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), propondo uma agenda de convivência sustentável com o bioma.
Ainda em 1999, a ASA lançou o “Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido”, tendo como principal iniciativa um projeto-piloto que previa a construção de 500 cisternas para o armazenamento da água da chuva. A falta de apoio governamental, no entanto, impediu a ampliação da iniciativa.
O programa foi efetivamente impulsionado a partir de 2003, após a chegada de Lula à Presidência da República. O “Programa Um Milhão de Cisternas” foi então incorporado à estratégia Fome Zero e transformado em política pública, passando a receber recursos do Orçamento Geral da União. A ASA participou ativamente da implementação do programa, gerindo os recursos e coordenando a construção em larga escala dos reservatórios.
As cisternas são construídas nos quintais das casas dos moradores do Nordeste, utilizando placas pré-fabricadas. Os reservatórios possuem capacidade para armazenar até 16 mil litros de água — volume suficiente para abastecer uma família de 6 pessoas por até 8 meses durante o período de estiagem.
As cisternas são abastecidas por água da chuva captada dos telhados das residências por um sistema de calhas e equipadas com coadores, sistemas de filtragem e bombas manuais. O programa também auxilia no incremento da renda das comunidades, pois os próprios moradores dos municípios beneficiados são capacitados e remunerados para atuar na construção das cisternas.
A soma desses reservatórios permite o acúmulo de mais de 20 bilhões de litros de água. A água é estocada para fins diversos — consumo humano, produção de alimentos, criação de animais e plantio e irrigação de hortas. Parte das cisternas permite o estoque de água de reuso para utilizar na limpeza doméstica e afazeres em geral.
A construção das cisternas permitiu um avanço sem precedentes rumo à universalização do acesso à água potável, melhorando as condições de vida e atenuando o flagelo social decorrente dos períodos de estiagem no Nordeste. Desde 2003, já foram construídos mais de 1,2 milhão de reservatórios, atendendo mais de 5 milhões de pessoas.
O programa teve impacto muito positivo para a saúde da população atendida. Uma pesquisa realizada pela Fiocruz apontou redução de até 79% dos casos de doenças diarreicas e de infecções parasitárias nas comunidades equipadas com os reservatórios. Também houve uma redução acentuada das taxas de mortalidade infantil e uma queda de até 37% no número de internações de crianças.

