Sindicato dos Jornalistas do Rio repudia declarações de Rachel Sheherazade no Jornal do SBT

Entidade se manifestou “radicalmente” contra o que classificou como “grave violação de direitos humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas”. Apresentadora defendeu grupo que amarrou garoto negro a um poste.

Jovem (à esquerda) foi preso pelo pescoço por uma trava de bicicleta e depois torturado. À direita, Rachel Sheherazade, do Jornal do SBT, que considerou 'compreensível' a ação criminosa. Fotos: Reprodução da Internet
Jovem (à esquerda) foi preso pelo pescoço por uma trava de bicicleta e depois torturado. À direita, Rachel Sheherazade, do Jornal do SBT, que considerou ‘compreensível’ a ação criminosa. Fotos: Reprodução da Internet

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro e a Comissão de Ética da entidade repudiaram “radicalmente” a “grave violação de direitos humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros”, se referindo a declarações da âncora Rachel Sheherazade durante o Jornal do SBT.
“O desrespeito aos direitos humanos tem sido prática recorrente da jornalista, mas destacamos a violência simbólica dos recentes comentários por ela proferidos no programa de 4 de fevereiro”, afirmou em nota a entidade.
“Sheherazade violou os direitos humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente e fez apologia à violência”, destacou o Sindicato. A apresentadora afirmou achar que “num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível”.
Ela se referia ao grupo de rapazes que, na última sexta-feira (31), prendeu um adolescente acusado de furto e, após acorrentá-lo a um poste no Aterro do Flamengo, o espancou, torturou, filmou e divulgou as imagens na internet.
O bando – que se intitulou “Justiceiros do Flamengo” – foi preso na madrugada da terça-feira (4) e encaminhado à 9ª DP (Catete). Os suspeitos estavam na pista de skate do Parque do Flamengo quando foram surpreendidos pelos policiais.
Segundo informações do jornal ‘O Dia’, os presos maiores de idade foram autuados por formação de quadrilha e corrupção de menores. Já os menores de idade foram enquadrados por formação de quadrilha. Eles pagaram fiança e foram liberados. Segundo moradores, o grupo vem atuando no bairro desde o ano passado. Eles agridem e torturam pessoas que julgam suspeitas. As atitudes foram consideradas “até compreensíveis” pela apresentadora do SBT.
O Sindicato e a Comissão de Ética do Rio de Janeiro solicitaram à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que investigue e identifique as responsabilidades. “É preciso lembrar que os canais de rádio e TV não são propriedade privada, mas concessões públicas que não podem funcionar à revelia das leis e da Declaração Universal dos Direitos Humanos”, afirmou a nota.
Leia a nota do Sindicato na íntegra:
“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Comissão de Ética desta entidade se manifestam radicalmente contra a grave violação de direitos humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros representada pelas declarações da âncora Rachel Sheherazade durante o Jornal do SBT.
O desrespeito aos direitos humanos tem sido prática recorrente da jornalista, mas destacamos a violência simbólica dos recentes comentários por ela proferidos no programa de 04/02/2014 (http://bit.ly/1g33bNO). Sheherazade violou os direitos humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente e fez apologia à violência quando afirmou achar que “num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível” — Ela se referia ao grupo de rapazes que, em 31/01/2014, prendeu um adolescente acusado de furto e, após acorrentá-lo a um poste, espancou-o, filmou-o e divulgou as imagens na internet.
O Sindicato e a Comissão de Ética do Rio de Janeiro solicitam à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que investigue e identifique as responsabilidades neste e em outros casos de violação dos direitos humanos e do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, que ocorrem de forma rotineira em programas de radiodifusão no nosso país. É preciso lembrar que os canais de rádio e TV não são propriedade privada, mas concessões públicas que não podem funcionar à revelia das leis e da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Eis os pontos do Código de Ética referentes aos Direitos Humanos:
Art. 6º É dever do jornalista:
I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;
XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Art. 7º O jornalista não pode:
V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;
Também atuando no sentido pedagógico que acreditamos que deva ser uma das principais intervenções do sindicato e da Comissão de Ética, realizaremos um debate sobre o tema em nosso auditório com o objetivo de refletir sobre o papel do jornalista como defensor dos direitos humanos e da democratização da comunicação.”

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