
X da Questão
Xeno é um estrangeiro, que chegou a Xanadu,
do mesmo jeito que Eu, do mesmo modo que Tu…
E, desde muito criança, sempre ouvira falar
que Xanadu era o Céu e a Terra, Xangri-lá!
O grande X da questão sempre foi, sempre será:
De onde é que Xeno vem?
Onde Xeno quer chegar?
E logo que despertou, com Ximena ele casou-se,
e saiu ouvindo a todos, seja lá aonde fosse…
Primeiro, ouviu as Aves, pois seu sonho era voar.
Escutou, com atenção, um Xexéu muito esperto,
habitante do Sertão, que dançava o xaxado, ciranda, xote e baião.
Conversou com a Xandu, maior Ema do lugar,
e até com o Ximango, uma ave de rapina, parente do Carcará.
Qual mesmo o X da questão?
Ninguém estava contente com a sua situação!
Todo Mundo inconformado com aquela sua sina,
sonhava o tempo todo ser Peixe e poder nadar…
Depois, foi ouvir os Peixes, assim, mergulhou no mar,
mas antes, escutou Xeme, ave marinha do lugar,
que entendia de Peixes, e pôde lhe orientar.
Entrou nos rios e mares e nas águas mais profundas,
Ouviu o peixe Xaru, a Xira e o Ximburé,
o Xerelete, o Xixarro, o Xangó e o Xué,
até mesmo o maior bagre, conhecido por Xaréu.
E o X desta questão? Bom mesmo era lá no céu!
O sonho de Todo Mundo era ser Ave e voar…
E assim aconteceu, em todo canto e lugar:
quem estava em Xanadu, só pensava em Xangri-lá;
quem estava em Xangri-lá, sonhava com Xanadu,
do mesmo jeito que Eu, do mesmo modo que Tu…
E Xeno, ouvindo Ximena, começa a meditar:
E agora, o que faremos? Aonde iremos parar?
Qual o X desta questão?…
Ximena, com paciência, ouve tudo atentamente,
apontando o Coração.
O real X da questão: quer mesmo agora saber?
É sempre o Ser ou não Ser…
Xanadu ou Xangri-lá não se trata de um lugar;
é um jeito de viver!
Se ficar olhando fora, vai ficar sempre por fora,
com risco de se perder e nunca mais acordar.
Cultivando o seu Ser, sem desviar a atenção,
sonhando com os pés no chão,
Você pode se encontrar!
PerYaçu
Bananeiras-PB: outubro/2025
Xícara de Chá do Xá
A xícara de chá, do Xá da Pérsia,
nunca quis se misturar
com as louças do armário,
a quem vivia a xingar:
“Sou uma xícara finíssima
e jamais vou permitir
que um xaropinho qualquer
encoste perto de mim!”
Num xeque-mate da vida,
o Xá da Pérsia morreu,
e toda louça elegante
vai parar em um Museu…
Mas durante a Mudança,
acontece o pior:
a asa da linda xícara
é quebrada e vira pó.
No Museu, ninguém sabia
o que era aquela peça,
e logo foi descartada,
bem ligeiro e bem depressa.
E lá na lata do lixo,
Xavier a encontrou,
ficou tão emocionado,
de alegria, até chorou…
Xavier era um mendigo,
todo dia procurava
algo na lata do lixo,
e muita coisa encontrava.
Mas nada se comparava
àquela peça tão bela.
Deste dia em diante,
não se separava dela.
Encantado com a beleza
daquela Xícara quebrada,
a falta daquela asa
não representava nada.
E assim, naquelas mãos,
a Xícara, em si, vai caindo:
humildemente, percebe
o quanto estava servindo.
O sentido de sua vida
não era a sua Aparência;
algo mais forte e bonito
estava em sua Essência.
A alegria maior
mora mesmo no “servir”:
eis o Sentido profundo
da Vida e do existir!
PerYaçu
Bananeiras-PB: novembro de 2024
Xadrez da Xerazade
Xerazade, contadora de Histórias geniais
das Mil e uma Noites dos Contos Orientais,
conta sua Última História para todos nós, Mortais:
“Era uma vez…
Um Ser de Ouro… Nobre, Real, Humano e Divino:
desejado e cobiçado por todos,
escondido no lugar mais secreto,
e esplendoroso daquele imenso Tabuleiro,
acompanhado, de perto, por quem o defendia,
dia e noite, noite e dia…
Alma do Ser… quer mesmo saber?
Atenta, vigilante, sentinela desperta, alerta,
sem baixar a guarda, luta desigual:
Bem ou Mal? Vida ou Morte? Glória ou Derrota?
Quem vencerá, afinal?
Neste Jogo da Vida, luta sem igual…
Quem é o Ser que chegará ao Ser? A Ser?…
A vencer esta batalha do Ser ou não Ser?
Há que se fortalecer, antes de tudo,
desde a manhã ao anoitecer e tornar-se Firme Torre.
Mais que Inteligência, Sabedoria precisa ter…
E olhar adiante, exército de Combatentes,
seguindo em frente, sem voltar atrás!
Vícios, jamais!
Virtudes, sim! Um por todos, todos por um:
Prudência, Paciência, Justiça e Equidade,
Firmeza, Fortaleza e Coragem,
Respeito, Moderação, Humildade e Verdade…
Disciplina e Rigor, na Luta de Vida ou Morte,
que requer também Transporte:
Corpo ágil, com Leveza, com Ternura e Pureza
d’uma Consciência Sã, clareando a Jornada,
desta grande Caminhada… Um passo de cada vez,
no imenso Labirinto, que mais parece um xadrez.
Combatente com Transporte, sem ter uma Fé bem forte,
pode se perder de vez! E não poderá chegar
ao lugar que tanto anseia, ao encontro desejado
com o seu Eu mais sagrado, que dá sentido ao viver!
Mas…
Bem que pode acontecer: um Reinado sem um Rei,
Rainha sem Coração, um Forte que é Prisão,
um Lutador desleal, agindo por conta própria,
sem Consciência de Si, como se fosse um Peão.
Haverá sempre opção no Tabuleiro da Vida:
Caminhar bem integrado, ou não querer Comunhão;
Integrar tudo no Fim; ou preferir dissolução!
A História não tem fim…”
No Xadrez da Xerazade, de Chegada e Partida,
vamos vivendo Histórias, buscando uma Saída…
Que tal?
Em vez de um Xeque-Mate,
um Sim ao Xeque-Vida!?
PerYaçu
“Educadora-Peregrina da Esperança”
Bananeiras-PB: novembro/2024
Vera Periassu – poeta, cordelista e educadora popular veraperiassu@gmail.com
