
Em um mote do poeta egipsiense Ruan Jorge:
No Sertão, quando o ano é de estiagem,
Fica o solo rachado no barreiro,
A estampa do chão é um cinzeiro
Com as cinzas queimadas da paisagem.
O caroço plantado não dá vagem,
A espiga não vinga sem pendão
E quem toca na rês com sua mão
Conta os ossos da vaca desnutrida…
O tapete da morte esconde a vida
Quando a seca se alastra pelo chão.
Vinícius Martins
Este solo que um dia viu passar
Um riacho correndo pro açude
Sem a chuva me lembra amiúde
Os rachões ao redor do calcanhar
Do meu pai que depois de agricultar
Esfregava-os na pedra do oitão
A escassez da estiagem no sertão
Sem estudo jamais será vencida
“O tapete da morte esconde a vida
Quando a seca se alastra pelo chão.”
Martim Assueros
O problema maior das altitudes
Onde a água da chuva vem primeiro
É saber que ela escorre nos aceiros
Para os planos abaixo em terras rudes
Pouco fica de água nos açudes
O consolo é saber que cai nos vãos
dos lugares mais secos do sertão
onde a cláusula da morte e’ aquecida
O tapete da morte esconde a vida
Quando a seca se alastra pelo chão
Alberto Lacet
Quem conhece a vida sertaneja
Sabe o quanto a seca desanima
Com tristeza se vê que lá de cima
Nem um pingo de água o céu despeja
O campônio por mais forte que seja
Não consegue vencer a aflição
Segurando a enxada pela mão
Ele tenta encontrar uma saída
O tapete da morte esconde a vida
Quando a seca se alastra pelo chão
Ambrósio Nunes
Quem viveu a labuta nesta terra
É que sabe o que o fez sobreviver
Ver a criança chorar para comer
É sentir que está vivendo em guerra
É lutar com a família nesta terra
Trabalhar para que consiga o pão
É sentir uma dor no coração
Só ao ver essa terra ressequida
O tapete da morte esconde a vida
Quando a seca se alastra pelo chão
Thadeu Filmagens
Bacharel em Ciências Sociais, ambientalista e poeta.
