Não te aflijas, caminhante / Estarei mais adiante / Onde não podes me ver. / Estou no reino da paz / Onde o tempo se desfaz / Num eterno alvorecer.
Martim Assueros Gomes
É solidão com saudade / E um quê de eternidade / Que não consigo alcançar. / Lembrança de minha mãe / É certo que me acompanhe / Enquanto o dia alvorar.
Na praia o deleite, o prenúncio de amar / Despertam volúpias, sacodem as bases, / Em curvas sedosas de ondas suaves / Compus um galope na beira do mar.
… E quem toca na rês com sua mão / Conta os ossos da vaca desnutrida… / “O tapete da morte esconde a vida / Quando a seca se alastra pelo chão”.
Esses dias, recebi de Alder Júlio Ferreira Calado o seu livro “Florilégio de estrofes da poesia sertaneja”, lançado em 2009 pela Edições Buscas.
[…] Faz a chama no peito reluzir /E a paixão novamente a seduzir /Traz de volta o passado que enterrei /Da altura dos sonhos despenquei /Acordei, não consigo mais dormir […]
Perspicaz, arguto, fino /Um filho do amanhecer /É o que tenho a dizer /De um homem sob medida /Que no crepúsculo da vida /Se esqueceu de envelhecer
Mas depois veio a bonança /Como vento de monção /A soprar inspiração /E abrindo a porta secreta /Eu nasci pra ser poeta /Das venturas do sertão
Sem poesia como é que sofrerei /De saudade, de amor e solidão /Do clamor solitário da paixão /Do jejum amoroso de um asceta /Eu nasci com o dom de ser poeta /E agradeço a Deus Pai da criação.









