
Ao recuperar o pensamento de José Martí e dialogar criticamente com a tradição marxista, Fidel Castro transformou a ética, a dignidade e o compromisso com os oprimidos em pilares da Revolução Cubana e de sua concepção de socialismo.
Marc Vandepitte, Katrien Demuenck | Diálogos do Sul Global, às
“A ética, como comportamento, é essencial, e uma riqueza que não tem limites. Esta é a força mais poderosa de que se pode dispor”.
Nenhuma teoria social está tão carregada de valores como a de Marx e Engels. Seus escritos constituem uma carga permanente contra a injustiça e a exploração. Sua vida inteira esteve a serviço de um grande ideal: a emancipação dos operários, o fim da exploração e a liberdade para todos. Mas, por razões históricas e filosóficas, a dimensão ética não aparece explicitamente em seus escritos.
Uma das discussões mais fundamentais da filosofia ocidental é a discussão entre Kant e Hegel. Entre outras coisas, trata-se da relação entre Sein (o ser, a realidade) e Sollen (o que deveria ser, o ideal). Kant parte do imperativo ético: o Sollen (um conjunto de diretrizes e critérios éticos atemporais) indica o Sein (a realidade), e, de acordo com isso, devemos agir. Sein e Sollen distinguem-se profundamente um do outro.
Hegel, por sua vez, opta por uma relação dialética e histórica entre os dois. A realidade histórica (Sein) contém em si mesma uma dinâmica (criar e vencer contradições) que tende espontaneamente ao ideal (Sollen), que alcança finalmente por meio do processo de aprendizagem da história. Hegel concebe a história como um grande processo de aprendizagem da razão.
Marx era aluno de Hegel e “materializou” esta dialética. O motor da história não era, para Marx, o processo de aprendizagem no domínio das ideias, e sim a luta de classes. As ideias (a consciência) são reflexo da realidade histórica (o ser). Como Hegel rejeitava a distinção entre Sein (domínio da realidade histórica) e Sollen (domínio da ética), logicamente dava muito menos atenção à elaboração de uma ética explícita. Em Marx, isso desaparece por completo.

Uma segunda razão importante é de caráter histórico. Marx e Engels desenvolveram suas ideias em uma polêmica com os socialistas utópicos, como foram chamadas as diversas correntes socialistas de sua época.
O socialismo científico de Marx e Engels se baseia em fatos empíricos e leis históricas, enquanto os socialistas utópicos partiam de valores eternos ou de sonhos.
Segundo Marx e Engels, as classes ou grupos sociais estão animados, em primeiro lugar, pelos interesses de classe, mais do que por valores ou convicções.
Fidel Castro ensinou que o imperialismo não recua diante da conciliação, mas da resistência organizada dos povos
Os desejos subjetivos ou intenções desempenham um papel subordinado e sem importância.
Um capitalista nobre que, por exemplo, quisesse pagar um salário honesto a seus operários não poderia fazê-lo. A concorrência o proíbe; está preso em um colete econômico.
Para Marx e Engels, a luta pelo socialismo não vem de um sentimento de justiça ou da vontade de um mundo melhor. O mundo não muda por ideias ou por um ideal.
A luta pelo socialismo é a consequência da luta pela emancipação do movimento operário, suscitada ela mesma pela contradição irreconciliável entre a burguesia e o proletariado. Por meio desta luta de emancipação, o movimento operário toma consciência de seu papel predominante na história. O socialismo não é um sonho distante, inacessível, uma utopia ou um ideal, e sim o resultado do curso da história.
Os artífices do marxismo não desenvolveram uma dimensão ética; sua teoria não dizia respeito ao bem ou ao mal, e sim ao que ia acontecer na história. Os ideais não só são insuficientes para livrar-se da injustiça ou conquistar um mundo melhor, como com frequência são enganosos. Os valores e os ideais são reflexo das relações de força existentes e criam uma consciência distorcida. No capitalismo, incitam as pessoas oprimidas à aceitação e à submissão.
No Manifesto comunista está dito: “As leis, a moral, a religião, são para ele [o proletário] outros tantos preconceitos burgueses atrás dos quais se escondem outros tantos interesses da burguesia.” Engels escreve no Anti-Dühring: “Afirmamos, pelo contrário, que toda teoria moral que existiu até hoje é o produto, em última instância, da situação econômica de cada sociedade. E como a sociedade se moveu até agora em contradições de classe, a moral foi sempre uma moral de classe”.
Por isso, Marx e Engels evitam toda referência explícita à ética em seus textos. Assim, Marx menciona em uma carta a Engels que escrevera um texto a pedido da Internacional e diz: “Obrigaram-me a incluir duas frases acerca de «dever» e «direito» no preâmbulo dos estatutos, assim como sobre «a verdade, a moralidade e a justiça», mas foram inseridos de tal maneira que não podem causar dano”.
Marx e Engels não só evitam as formulações éticas como também empreendem uma luta contra a moral e os valores eternos. No Manifesto comunista, formulam uma acusação dirigida aos comunistas: “Seguir-se-á arguindo, existem verdades eternas, como a liberdade, a justiça etc., comuns a todas as sociedades e a todas as etapas de progresso da sociedade. Pois bem, o comunismo vem destruir estas verdades eternas, a moral, a religião, e não substituí-las por outras novas; vem interromper violentamente todo o desenvolvimento histórico anterior.” Não contradizem esta acusação, pelo contrário, o marxismo rompe precisamente com todas estas ideias superadas: “A revolução comunista vem romper da maneira mais radical com o regime tradicional da propriedade; nada tem de estranho que se veja obrigada a romper, em seu desenvolvimento, da maneira também mais radical, com as ideias tradicionais.”
Segundo Engels, só se pode desenvolver a ética depois de ter vencido o capitalismo. Para Marx e Engels, o socialismo utópico não só está condenado a fracassar, como desvia os operários de sua tarefa histórica do momento: levar a cabo a luta de classes. A libertação só surgirá respeitando “o sentido da história”, isto é, reconhecendo as contradições sociais, acentuando-as e sabendo que classes sociais históricas devem desempenhar o papel principal nisso.
A consequência disso foi que, no marxismo clássico, a dimensão utópica estava proibida e que se concedia à ética um lugar subordinado. Os acontecimentos históricos depois de Marx e Engels não facilitaram a relação com a dimensão ética. Uma corrente importante no seio da família socialista rompeu com várias teses centrais. A revolução a que se aspirava foi substituída por reformas graduais, pela via parlamentar, e a luta de classes deixou de ser o motor da história. Em vez de basear-se nos interesses de classe, só se confia plenamente nas convicções morais para mobilizar os operários. Esta corrente se denomina socialismo ético ou socialismo moral. De fato, utilizavam a ética (ou abusavam dela, segundo os marxistas) para renegar a luta de classes.
Isto reafirmava os marxistas em sua reticência por esta dimensão. Para Lenin, sim, existia uma moral, mais precisamente uma moral comunista, mas esta moral está totalmente subordinada à luta de classes: “Dizemos que nossa moral está inteiramente subordinada aos interesses da luta de classes do proletariado. Nossa ética tem por ponto de partida os interesses da luta de classes do proletariado. […] A moral comunista é a que serve para esta luta, a que une os trabalhadores contra toda exploração e contra toda propriedade privada. […] Para um comunista, toda a moral reside nesta disciplina solidária e unida e nesta luta consciente das massas contra os exploradores.
Tampouco nele havia uma teoria ética explícita. Na tradição leninista, a ética se reduz essencialmente à moral revolucionária e à disciplina, mais particularmente a alguns códigos de conduta e a algumas atitudes que equivalem a um compromisso incondicional com a revolução e o partido. O índice de uma edição belga da obra padrão do marxismo-leninismo da Academia de Ciências da União Soviética tem 1.300 palavras. Não aparecem palavras como ética, moral, valores, dignidade ou justiça.
Uma complicação suplementar para as dimensões éticas e utópicas era a concepção cientificista do mundo. Ganhou cada vez mais terreno no seio do marxismo, entre outros com o russo Plekhanov. O cientificismo é uma teoria que parte da convicção de que o conhecimento científico permite aniquilar a ignorância em todos os domínios. Trata-se de aplicar os princípios das ciências naturais a todos os domínios da vida, incluídas a filosofia, a religião, as ciências sociais e a política. Nesta visão do mundo não há lugar em absoluto para a moralidade, a ética ou as utopias, salvo para rejeitá-las como uma consciência errônea. Isto no que concerne à tradição marxista.
Fidel desenvolveu suas ideias em um contexto completamente diferente e a partir de uma tradição muito diferente. Não considera a ética um freio e sim, pelo contrário, uma base e um terreno fértil para suas convicções políticas, a fonte de seu compromisso radical. Em uma visão retrospectiva sobre seus primeiros passos em política, afirma:
“Se você mescla valores éticos, espírito de rebeldia, repúdio à injustiça, toda uma série de coisas que você começa a apreciar e a valorizar altamente, e que outras pessoas podem não valorizar, um sentido da dignidade pessoal, da honra, do dever, tudo isso, a meu ver, é a base elementar que pode fazer com que um homem adquira depois uma consciência política”.
Quando era um estudante de 22 anos, estive presente casualmente em uma revolta espontânea em Bogotá, Colômbia. Era uma empresa sem sentido, mas seu idealismo e suas convicções morais foram mais fortes que qualquer outra consideração. Considerava que seu dever era unir-se à revolta porque, como ele mesmo diz, “agi consequentemente, agi com princípios, agi com uma moral correta, agi com dignidade, agi com honra, agi com disciplina e agi com um altruísmo incrível”.
Como muitos cubanos, o jovem Fidel tinha asco da elite política de seu país. Carecia de toda forma de moralidade. A política era igual à “consagração do oportunismo dos que têm meios e recursos”, enquanto a revolução abria perspectivas “ao mérito verdadeiro, aos que têm valor e ideal sincero, aos que expõem o peito aberto e tomam na mão o estandarte”.
A moral é para Fidel a base de tudo. A gente não se dá conta do “quanto vale ter uma ética e uma linha de conduta digna”. É o fundamento da sociedade, a alma da revolução: “todo pensamento revolucionário começa por um pouco de ética”. A ética é a chave do êxito, “é a força mais poderosa de que se pode dispor”. A vitória na guerra “depende de um mínimo de armas e de um máximo de moral”.
Igualmente, a ética é a essência de uma boa liderança, “não necessita de cargos, do que necessita é de autoridade moral, do que necessita é poder moral”. Nesse sentido, o lutador pela libertação de Cuba do século 19, José Martí, foi uma importante fonte de inspiração: “Já a gente tem uma ética, disse-lhe que a ética nos veio fundamentalmente de Martí”. O que também era válido para o Che:
“Como revolucionário comunista, verdadeiramente comunista, [o Che] tinha uma infinita fé nos valores morais, tinha uma infinita fé na consciência dos homens. E devemos dizer que em sua concepção viu com absoluta clareza nos recursos morais a alavanca fundamental da construção do comunismo na sociedade humana”.
A ética e os valores não surgem espontaneamente, é preciso propô-los e ensiná-los. Não haverá sociedade socialista “sem que certas ideias tornem-se princípios éticos irrenunciáveis de cada cidadão”. Daí a importância que se dá ao ensino, à formação e à cultura. As crianças vêm ao mundo com uns impulsos naturais que são “muitas vezes contraditórios com as virtudes que mais apreciamos, como solidariedade, desprendimento, valentia, fraternidade e outras”. Portanto, educar equivale em grande parte a “semear valores, inculcar e desenvolver sentimentos, transformar as crianças que vêm ao mundo com imperativos da natureza”. Para dizê-lo com palavras do Che, é preciso criar um “homem novo”.
Fidel concebe a ética em sentido amplo. Não se trata tanto de regras impostas, de mandatos ou de proibições, mas de um conjunto de concepções, de atitudes, valores e virtudes que levam à libertação dos oprimidos, a uma sociedade mais justa. Seus discursos e seus escritos estão cheios de exortações éticas. Como exemplo, eis aqui um extrato de uma conferência que fez no Lions Club imediatamente depois da vitória:
“Estamos cheios de boa vontade. Pelo menos, já há alguma coisa. Boa vontade significa ser honrado e não roubar; boa vontade significa não ser um caprichoso, não ser um vaidoso, não ser «cabeça dura». […] Além de boa vontade, é preciso ter uma grande resignação. […] É preciso lutar por uma vocação, por um desejo, sem esperar recompensas de nenhum tipo, nem moral nem material”.
A lista de seus valores e atitudes favoritas é longa. Algumas aparecem com mais frequência do que outras: a justiça, a igualdade, o altruísmo, o respeito à vida humana, a preocupação com o outro, a eliminação do ódio, a educação, a honestidade, a integridade, a modéstia, a generosidade, a independência de pensamento, o reconhecimento e retificação de erros, a honra, a dignidade pessoal, a perseverança, a firmeza de princípios, a tenacidade, a disciplina, a intransigência, a disponibilidade, o sentido do sacrifício, a audácia, o heroísmo.
Estes valores e atitudes concernem tanto à esfera individual quanto à coletiva, inclusive à esfera diplomática. Segundo Fidel, os valores e os princípios movem os povos e são uma força motriz importante para a libertação e a emancipação. As pessoas estão dispostas a dar sua vida por um ideal. O Che fala de “projéteis morais” que “são uma arma de tão demolidora eficácia que este elemento passa a ser o mais importante na determinação do valor a Cuba”.
“Ria se quiser, mas os princípios são ao longo do tempo mais poderosos que os canhões. De princípios se formam e se alimentam os povos, com princípios se alimentam na luta, pelos princípios morrem”.
“As ideias justas têm um poder superior a todas as forças reacionárias juntas. […] As ideias são e serão sempre a arma mais importante. […] Não existe arma mais potente que a convicção profunda e a ideia clara do que se deve fazer. Deste tipo de armas que não exige fabulosas somas de dinheiro, apenas da capacidade de criar e transmitir ideias justas e valores, estará cada vez mais armado nosso povo. O mundo será conquistado pelas ideias e não pela força, cujo poder para subjugar e dominar a humanidade será cada vez menor.”
Um revolucionário deve sonhar, deve cultivar ideais, ainda que não sejam realistas. Para Marx, Dom Quixote é a caricatura do socialismo utópico, o protótipo do idealista ingênuo condenado a fracassar. Utilizava o herói de Cervantes para denegrir seus adversários ideológicos. E precisamente esta figura burlesca é o grande herói de Fidel e do Che.
O romance Dom Quixote de La Mancha foi o primeiro livro de que foram editados milhões de exemplares depois da vitória. Na ilha veem-se por toda parte estátuas do cavaleiro que ataca os moinhos de vento. Estamos aqui longe da posição marxista oposta à ética e à utopia.
“Martí disse que os sonhos de hoje do idealista, são a lei de amanhã. Também nos diziam sonhadores quando iniciamos a luta contra Batista e hoje somos os que fazemos as leis revolucionárias da república. Mas, ainda que não se alcançassem estes objetivos, sonhar com eles e aspirar a eles, é por si o primeiro passo para tentar alcançá-los. Se não alcançamos essa meta tão alta, mas alcançamos a metade, chegamos à metade do caminho, teremos alcançado muito. É preciso aspirar ao máximo para lograr o mais possível”.
Alguém poderia perguntar-se se Fidel voltou ao socialismo utópico ou ético. Mas não é assim, porque “sua” ética é uma ética de classe e está determinada em função de um projeto revolucionário. Não considera a moral uma falsa consciência que mantém o status quo, mas, pelo contrário, uma força insubstituível para a mudança. As experiências de luta dos antepassados alimentam esta moral de luta. Toma esta noção de Martí. Fidel considera que a esquerda seria mais inteligente utilizando a força da moral. A recuperação da dimensão ética e do humanismo são provavelmente sua contribuição mais importante ao marxismo-leninismo.
“Um povo cheio de vergonha onde a corrupção, o vício e a politicagem, na república neocolonizada, não teriam podido varrer as sementes de heroísmo, amor à liberdade e à pátria, engendradas desde nossas lutas independentistas em Yara, Jimaguayú, Baraguá, Baire, Dos Ríos, Punta Brava, e cultivadas pela prédica incessante e eternamente inspiradora de dignidade humana de José Martí. Não teria sido próprio de revolucionários marxista-leninistas desconhecer o valor e a força destes fatores morais de nosso caráter nacional”.
O alto valor ético da Revolução Cubana se traduz nas realizações sociais nunca vistas em um país do terceiro mundo. Cuba tem um sistema de saúde que pode concorrer com o dos países ricos, apesar de ter um PIB por habitante que é pelo menos cinco vezes inferior e de que o país está há mais de sessenta anos sofrendo um bloqueio econômico. Antes do bloqueio energético, a mortalidade infantil era inferior à dos Estados Unidos. Os indicadores sociais continuaram melhorando mesmo durante a profunda crise econômica da década de 1980, depois da queda da União Soviética e do endurecimento do bloqueio.
As crianças e os idosos recebem um tratamento especial. Os cuidados que recebem as pessoas com deficiência são únicos para um país do terceiro mundo. Fidel pode declarar com razão que a revolução se ocupa de todo o mundo e “não esquece um só em absoluto, seja cego, seja surdo-mudo, tenha os problemas do tipo que tenha”. Fizeram-se esforços específicos para eliminar o racismo e a discriminação. Foi um tema importante desde o início da revolução porque “não há nada mais absurdo nem nada mais criminoso que a discriminação”. As tensões étnicas ou a discriminação racial são inexistentes em Cuba, o que não quer dizer que já não haja preconceitos, posto que são necessários esforços de gerações para erradicá-los totalmente.
“Porque, afinal, todos os temos mais clara ou mais obscuramente. Porque aqui se não a temos a pele um pouco morena porque viemos do espanhol, e a Espanha foi colonizada pelos mouros, e os mouros vinham da África, temos mais ou menos morena porque nos vem diretamente da África. Mas ninguém pode se considerar de raça pura e muito menos de raça superior. […] vamos pôr fim à discriminação racial nos centros de trabalho, […] que cesse a discriminação racial nos centros de trabalho; que brancos e negros nos ponhamos todos de acordo e nos juntemos todos para pôr fim à odiosa discriminação racial nos centros de trabalho. Assim iremos forjando, passo a passo, a pátria nova”.
A mesma atitude existia e existe em relação à mulher. Tampouco é uma luta fácil, “é uma tarefa de toda a sociedade”. Os preconceitos machistas estão profundamente arraigados, tanto mais no contexto latino-americano. Resta um longo caminho a percorrer, mas, segundo os padrões do continente, já se conseguiu muito. Assim, hoje em dia há mais mulheres do que homens matriculados nas universidades e 57% dos parlamentares são mulheres, o que situa Cuba entre os cinco primeiros países do mundo.
“Quero que saibam que uma das batalhas mais difíceis da revolução é a luta pela igualdade da mulher, porque a discriminação não existia só entre os homens, mas entre as próprias mulheres, coisa curiosa, apesar de tudo o que se avançou em educação e ideologia”.
“Eu estou absolutamente convencido de que a sociedade ganhará mais na medida em que seja capaz de desenvolver e aproveitar as qualidades, as capacidades morais, humanas e intelectuais da mulher. Estou absolutamente convencido”.
A atitude com relação aos Estados Unidos, o principal inimigo, também demonstra a moralidade da Revolução Cubana. Desde 1959, Washington fez todo o possível para eliminar a revolução e liquidar seu dirigente: centenas de tentativas de assassinar Fidel, o apoio à guerrilha contrarrevolucionária durante a década de 1960, bombardeios, os atentados com bomba contra hotéis e fábricas, o atentado contra um avião de linha regular, a guerra bacteriológica, o bloqueio mais longo da história… No total, todas estas agressões custaram ao país mais de três mil mortos e dezenas de milhares de dólares. E, apesar de tudo, não existe o menor sentimento anti-estadunidense em Cuba. Fidel sempre distinguiu claramente em seus discursos entre o governo estadunidense e sua cidadania, e mesmo entre os Estados Unidos como nação e como potência imperialista. No seio da revolução não há lugar para o chovinismo.
“A mensagem expressa claramente a ideia de que o objetivo da estratégia revolucionária é a destruição, não dos Estados Unidos, mas do domínio imperialista dos Estados Unidos da América. Não permitam que o imperialismo os faça confundir o povo dos Estados Unidos, a nação dos Estados Unidos – que não se compõe só de imperialistas – com os próprios imperialistas”.
Tanto depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 como depois da catástrofe das inundações em Nova Orleans, Fidel se compadeceu imediatamente das vítimas e foram mobilizados centenas de médicos para oferecer ajuda médica. Óbvio, foi rejeitada em cada ocasião. Quando os serviços de segurança cubanos estiveram ao par de um novo plano para assassinar Reagan, transmitiram imediatamente a informação às autoridades estadunidenses.
Estas atitudes e esta serenidade do governo cubano diferem enormemente das centenas de tentativas de assassinato urdidas contra Fidel pela CIA e do discurso habitual de um dirigente ocidental quando menciona os dirigentes de países inimigos.
Fidel aplicou o mesmo código ético estrito aos inimigos em seu próprio país. No início do ano escolar, depois da vitória, dirigiu-se aos professores e insistiu em que tratassem os filhos dos criminosos de guerra como aos demais, inclusive que os tratassem com amor. Comparem isso com o tratamento dado às famílias dos colaboradores na maioria dos países da Europa ocidental depois da Segunda Guerra Mundial.
“E a nossas escolas podem ir todas as crianças, não importa que sejam filhos de um soldado de antes, não importa nem que seja filho de qualquer homem que haja cometido um delito e haja assassinado, porque as crianças não têm culpa. E vocês têm que saber que as crianças são inocentes, e que na escola qualquer criança, ainda que seja filho de um soldado de antes, há que tratá-lo como um irmão também, e se esta criança teve a má sorte de seu pai ter cometido crimes, ela não tem culpa, ela é uma vítima também. Na escola deve-se esquecer estas coisas, porque estas crianças são inocentes, e se em suas casas lhes falam mal da revolução, vocês têm que falar-lhes bem da revolução e explicar-lhes todas estas coisas, e se deve ganhá-las com carinho, não com desprezo”.
A atenção às pessoas mais frágeis e vulneráveis não se limita à população cubana. Desde o início da revolução, Cuba ofereceu sua ajuda aos países irmãos do Sul. A revolução só tinha quatro anos quando houve um terremoto na Argélia. Fidel enviou imediatamente uma cinquentena de médicos, apesar do fato de que então Cuba só contava com três mil.
Atualmente, Cuba tem mais de vinte mil médicos e enfermeiros trabalhando no estrangeiro, ou seja, muitos mais do que a quantidade total enviada pela Organização Mundial da Saúde.
Cuba forma na atualidade quase dez mil jovens médicos procedentes de 82 países do Sul. Depois da catástrofe nuclear de Chernobil em 1986, Cuba acolheu e curou milhares de crianças. Depois do terremoto no Paquistão em 2005, centenas de médicos cubanos curaram mais de dois milhões de vítimas, o mesmo que fizeram depois do terremoto no Haiti em 2010. Nos últimos anos, graças à Operação Milagre, Cuba devolveu a visão a milhões de pessoas cegas ou que viam mal na América Latina. A lista é longa e impressionante. Nenhum outro país do mundo pode orgulhar-se de ter feito melhor. Para Cuba, o internacionalismo é uma evidência ou, melhor ainda, um dever moral.
“Sem o internacionalismo a Revolução Cubana nem sequer existiria. Ser internacionalista é saldar nossa própria dívida com a humanidade”.
“O argumento para os internacionalistas é: é preciso ajudar aos demais mesmo que ninguém nos ajude. É simplesmente um dever moral, um dever revolucionário, um dever de princípio, um dever de consciência, um dever ideológico inclusive: fazer uma contribuição à humanidade ainda que a humanidade não tenha feito nenhuma contribuição por nós. Este é o internacionalismo!”.
Cuba não hesitou em empreender missões militares perigosas. Na Síria, Argélia, Gana, Congo (Brazzaville), República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Zimbabwe, Etiópia, Somália, Eritreia, Iêmen do Sul, Tanzânia, Angola, Namíbia e Guiné-Bissau.
Cuba apoiou também diferentes movimentos de guerrilha na América Latina. Estas missões foram levadas a cabo mesmo quando não era oportuno politicamente.
A maioria das missões foi levada a cabo contra a vontade da União Soviética, seu protetor e principal sócio comercial. A missão em Angola pôs em perigo o início de um degelo entre Cuba e os Estados Unidos. No total, 400.000 cubanos participaram destas missões, todos de forma voluntária. Mais de 2.000 cubanos deixaram a vida nelas.
Entre a década de 1960 e a de 1980, a minúscula Cuba foi um contrapeso importante da superpotência Estados Unidos no continente africano. Em Cuito Cuanavale, Angola, o Exército cubano assestou um golpe decisivo no regime do apartheid da África do Sul, que até o último momento teve o apoio das democracias ocidentais. Esta batalha fez balançar o equilíbrio de poder, com consequências importantes para a África austral. Damos a palavra a uma testemunha da primeira linha, Nelson Mandela:
“Viemos aqui com grande humildade. Viemos aqui com grande emoção. Viemos aqui conscientes da grande dívida que há com o povo de Cuba. Que outro país pode mostrar uma história de maior desinteresse que a que exibiu Cuba em suas relações com a África? Quantos países do mundo se beneficiam da obra dos trabalhadores da saúde e dos educadores cubanos? […]
Onde está o país que tenha solicitado a ajuda de Cuba e que lhe tenha sido negada? Quantos países ameaçados pelo imperialismo ou que lutam por sua libertação nacional puderam contar com o apoio de Cuba? Eu estava preso quando pela primeira vez me inteirei da ajuda massiva que as forças internacionalistas cubanas estavam dando ao povo de Angola – em uma escala tal que nos era difícil acreditar. […]
Nós na África estamos acostumados a ser vítimas de outros países que querem desmembrar nosso território ou subverter nossa soberania. Na história da África não existe outro caso de um povo que se tenha levantado em defesa de um de nós. […]
A esmagadora derrota do Exército racista em Cuito Cuanavale constituiu uma vitória para toda a África! […] Sem a derrota infringida em Cuito Cuanavale nossas organizações não teriam sido legalizadas!
A derrota do Exército racista em Cuito Cuanavale tornou possível que hoje eu possa estar aqui com vocês! Cuito Cuanavale é um marco na história da luta pela libertação da África austral! Cuito Cuanavale marca a guinada na luta para libertar o continente e nosso país do flagelo do apartheid! […] A decisiva derrota infringida em Cuito Cuanavale alterou a correlação de forças na região e reduziu consideravelmente a capacidade do regime de Pretória de desestabilizar seus vizinhos”.
Desde 1959, a direção revolucionária nunca reagiu violentamente contra as manifestações ou os dissidentes. A unidade política depois da vitória não foi obtida mediante a proibição de partidos ou eliminação de pessoas, e sim por meio de um trabalho de convencimento e pela busca paciente de consenso. No curso dos últimos cinquenta anos, não houve nenhum caso de desaparecimento nem de tortura ou de assassinato político em Cuba, um fato único no continente.
Nos últimos dez anos foram assassinados 72 jornalistas na América Latina, nenhum deles em Cuba. Na Europa e na América do Norte foram assassinados durante esse mesmo período 37 profissionais da imprensa. Em Cuba são extraordinariamente raras as altercações. A crise econômica depois da queda da União Soviética chegou a seu ponto mais alto em agosto de 1994. Em algumas ruas de Havana houve manifestações estimuladas pelas emissões de rádio procedentes de Miami. Estas desordens não foram enfrentadas com um aparato repressivo e sim por meio da mobilização de milhares de trabalhadores, com Fidel à frente. Fidel foi discutir pessoalmente com os que protestavam depois de dar instruções à polícia para que os tratasse corretamente.
Fidel resume isso muito bem em uma entrevista a María Shriver, jornalista da NBC: “Em Cuba as forças da ordem nunca dissolveram uma manifestação. Diariamente se vê que nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Espanha, na França, na Itália, na RFA reprimem os operários em greve, os pacifistas e os manifestantes. Nem uma única vez em trinta anos foram disparados gases lacrimogêneos contra o povo, nem uma vez em trinta anos foi disparado um só tiro contra o povo, nunca houve um só golpe, nem uma bala de borracha, nem um cachorro atiçado contra as pessoas. Enquanto vemos isso acontecer a cada dia na Espanha, na França, na Itália, na Alemanha Ocidental, nos Estados Unidos”.
A prioridade moral tampouco se traduz em um excesso de escrúpulos, em uma atitude ingênua, o que custou a eliminação de muitos dirigentes como Arbenz na Guatemala, Lumumba no Congo, Nkrumah em Ghana, Sukarno na Indonésia, Salvador Allende no Chile, dos sandinistas na década de 1990 na Nicarágua e Aristide no Haiti.
Nos momentos difíceis é que são determinantes uma ética elevada e uma moral forte: “Quanto mais difíceis sejam as circunstâncias, mais alta tem que ser nossa moral, mais elevado tem que ser nosso espírito, mais sólida nossa firmeza!”. As virtudes cardeais da revolução são a intransigência e a vontade de lutar até o final: “Pátria ou morte”. Fidel não deixa nenhum lugar a dúvidas: “Desde logo, há dois tipos de comunistas: os que podem deixar-se matar facilmente, e os comunistas que não nos deixamos matar facilmente!”.
A moral nunca é sinônimo de debilidade, pelo contrário. Uma ética forte foi uma das bases mais sólidas para o êxito e a sobrevivência da revolução. Os cuidados e o tratamento humano dados aos presos, e o comportamento correto dos guerrilheiros contrastavam de maneira flagrante com as brutalidades do Exército de Batista. É uma das razões principais do apoio que tinham os barbudos entre amplas camadas da população. Na entrevista a Tomás Borge, Fidel declara o seguinte:
“Por que nós ganhamos a guerra? Porque seguíamos uma política humanitária. As pessoas foram conquistadas por essa política. Poderia parecer, até idealista, porque sempre há uma justificativa na guerra e nos momentos de perigo para fazer coisas que são cruéis”.
Esta é uma das razões pelas quais a revolução conseguiu manter-se frente ao bloqueio mais longo da história do mundo. Quando a União Soviética renunciou abruptamente a suas relações econômicas com Cuba e os Estados Unidos reforçaram o bloqueio, o país viveu uma crise econômica sem precedentes. Uma depressão de semelhante magnitude quase sempre costuma ir acompanhada de uma crise política e social. Os regimes que enfrentam uma crise profunda em geral só podem manter-se no poder recorrendo à repressão militar, como no Chile e na Argentina durante a década de 1980. Estatisticamente, a revolução estava condenada a explodir. Mas não houve o anunciado desmoronamento, nem tampouco uma crise política. E mais, as autoridades cubanas nunca perderam sua legitimidade.
Explicar a sobrevivência da revolução neste período tão difícil é muito complexo. Segundo Fidel, a força moral é a razão pela qual “milhões de pessoas querem defender o país e querem defender a revolução”. Um estudo independente de um serviço de informação britânico confirma isso em grandes linhas. Cita nove razões pelas quais a Revolução Cubana sobreviveu e pelas quais a população, apesar da grave regressão econômica da década de 1990, continuou apoiando a direção revolucionária:
- a relativamente rápida recuperação da economia;
- a forte participação da população na tomada de decisões;
- uma oposição interna inexistente;
- uma direção sólida e estável, e a confiança nesta direção;
- a solidariedade internacional;
- as conquistas e vantagens sociais;
- a colocação igualitária da crise;
- o nacionalismo radical;
- os fortes valores revolucionários.
Os cinco últimos pontos representam aspectos éticos que descrevemos antes. Efetivamente, a forte potência moral e a profunda convicção são fatores importantes, se não decisivos, para a obstinada sobrevivência desta revolução tropical. Isto explica por que a maioria da população cubana estava disposta a manter seu apoio à revolução nas circunstâncias mais difíceis e por que a ilha permanece em pé há 67 anos, em um dos conflitos mais desiguais da história mundial.
“Seria sábio que os atuais e futuros governantes dos Estados Unidos compreendessem que Davi cresceu. Foi se convertendo em um gigante moral que não lança pedras com seu estilingue, mas exemplos, mensagens e ideias frente às quais o grande Golias das finanças, das riquezas colossais, das armas nucleares, da mais sofisticada tecnologia e de um poder político mundial que se sustenta no egoísmo, na demagogia, na hipocrisia e na mentira, está indefeso”.
Notas
1. Respectivamente, Ramonet, I., Cem horas com Fidel, Havana, 2006, 3.ª edição ampliada, p. 142; Discurso, 9 de agosto de 2000. A maioria dos discursos de Fidel pode ser consultada em http://www.cuba.cu/gobierno/discursos. Nesse caso, citamos como referência “Discurso”, seguido da data.
2. Segundo Marx e Engels, a história é fruto da luta de classes e da evolução da história e corresponde a um esquema dialético: a história é um processo paradoxal em que se realiza o progresso ou o desenvolvimento por meio de contradições (luta de classes). Uma tese suscita uma antítese e leva à supressão/superação (Aufhebung) destas contradições em uma síntese. Mas, com a passagem do tempo, esta síntese cria uma nova contradição (uma nova antítese) em um nível mais elevado etc. Marx se inspira em Hegel para seu método dialético, mas Hegel só o aplicava ao mundo das ideias, ao mundo ideal. Para Marx, tratava-se do material, principalmente da luta de classes.
3. “Aqui sempre devemos supor que o salário pago é honesto, falando economicamente, isto é, que está determinado pelas leis econômicas gerais. Aqui as contradições devem resultar das próprias relações gerais, não da estafa dos capitalistas individuais”. Marx, K. (1974): Grundrisse der Kritik der Politischen Ökonomie (Rohentwurf), Berlim, p. 329.
4. No prefácio da segunda edição de O Capital, Karl Marx afirma: “Para Hegel o processo do pensamento, que ele inclusive converte sob o nome de Ideia em um sujeito independente, é o demiurgo do mundo real, que não é mais que a forma fenomênica da ideia. Em troca, para mim a ideia não é senão a matéria transposta e traduzida no cérebro humano”. Marx, K., Das Kapital. Kritik der politischen Ökonomie. Nachwort zur zweiten Auflage; https://archive.org/stream/KarlMarxDasKapitalpdf/KAPITAL1_djvu.txt.
5. Na Miséria da filosofia, Marx rejeita a distinção entre o bem e o mal porque não é dialética. “O senhor Proudhon não tem da dialética de Hegel senão a linguagem. Para ele, o movimento dialético é a distinção dogmática entre o bem e o mal. […] Se em comparação com Hegel tem a vantagem de propor problemas, reservando-se o direito de solucioná-los para o bem maior da humanidade, em troca tem o defeito de padecer de esterilidade quando se trata de engendrar pela ação da dialética uma nova categoria. A coexistência de dois lados contraditórios, sua luta e sua fusão em uma nova categoria constituem o movimento dialético. Aquele que se propõe o problema de eliminar o lado mau, com isso mesmo põe fim de um golpe ao movimento dialético”, https://www.marxists.org/espanol/m-e/1847/miseria/005.htm#v.
6. Marx, K. e Engels, F., Manifesto do Partido Comunista; https://www.marxists.org/espanol/m-e/1840s/48-manif.htm.
7. Engels, F., A revolução da ciência de Eugenio Dühring (Anti-Dühring) (1877), https://www.marxists.org/espanol/m-e/1870s/anti-duhring/ad-seccion1.htm#ix.
8. A carta está datada de 4 de novembro de 1864. https://www.marxists.org/archive/marx/works/1864/letters/64_11_04-abs.htm.
9. Marx, K. e Engels, F., Manifesto do Partido Comunista.
10. Engels, no Anti-Dühring: “Uma moral realmente humana que esteja acima das contradições de classe, e acima da lembrança delas, não será possível senão em um estágio social que não só tenha superado a contradição de classes, como a tenha esquecido para a prática da vida”; op. cit.
11. “Mas existe uma moral comunista? Existe uma ética comunista? É evidente que sim. Pretende-se muitas vezes que nós não temos nossa moral própria, e a burguesia nos acusa com frequência, a nós, comunistas, dizendo que negamos toda moral. É uma forma como qualquer outra de embaralhar as ideias e de jogar terra nos olhos dos operários e dos camponeses”. Lenin, V., Tarefas das Juventudes Comunistas, https://www.marxists.org/espanol/lenin/obras/1920s/2-x-20.htm.
12. Ibid.
13. Este foi o caso nas revoluções chinesa e vietnamita. Ho Chi Minh diz isso da seguinte maneira: “A moral revolucionária compõe-se dos seguintes elementos: consagrar a vida a lutar pelo partido e pela revolução. É trabalhar duro pelo partido, seguir a disciplina de partido e realizar as linhas e a política do partido. É situar os interesses do partido e do povo trabalhador antes e acima dos próprios interesses. É servir ao povo de todo coração. É lutar com abnegação pelo partido e pelo povo, e ser exemplar em todos os sentidos”, Ho Chi Minh (2007), Down with Colonialism!, Londres, p. 154.
14. Academia de Ciências da URSS, Instituto de Economia, Manual de economia política, primeira parte; tradução em neerlandês, Berchem, s.d.
15. Ver, entre outros, Sotolongo, Pedro Luís (2002), Guevara, E., Ethics and Aesthetics of an Existence, Havana, pp. 21 e ss.
16. Nesta visão, considera-se o ser humano como se fosse um sistema biológico (hormônios, cérebro, estímulo-resposta), e seu comportamento é o resultado dos estímulos, da constituição biológica e do entorno. O livre-arbítrio e a escolha normativa são minimizados ou até negados nesta visão.
17. As bibliotecas estão cheias de obras sobre o papel da ética no marxismo. Ver, por exemplo, Kautsky, K. (1906), Ethics and the Materialist Conception of History, https://www.marxists.org/archive/kautske/1906/ethics/index.htm; Holst, H. R. (1925), Communisme en moral, https://www.marxists.org/nederlands/roland-holst/1925/moraal/index.htm; Callinicos, Alex (ed.) (1990), Marxist Theory, Oxford; Lukes, Steven (1985), Marxism and Morality, Oxford; Callinicos, Alex (1987), Making History, Cambridge; Sandkühler, H. e de la Vega, R. (ed.) (1974), Marxismus und Ethik, Frankfurt.
18. Betto, F. (1994), Fidel e a religião, Havana, p. 140.
19. Citado em Isidró del Valle, Aldo (ed.) (2001), Havana, p. 112.
20. Extrato de um panfleto distribuído por Fidel em 16 de março de 1952, seis dias depois do golpe de Estado de Batista. Era dirigido contra os dirigentes de seu próprio partido, os Ortodoxos. O texto foi publicado em El Acusador de 16 de agosto, sob o pseudônimo de Alejandro. http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/2007/esp/f250807e.html.
21. Discurso, 9 de agosto de 2000.
22. Discurso, 17 de novembro de 2005.
23. Discurso, 9 de agosto de 2000.
24. Suárez Pérez, Eugenio e Caner Román, Acela (ed.) (1998), De cinco palmas a Havana, Havana, p. 221.
25. Discurso, 9 de agosto de 2000.
26. Ramonet, I., op. cit., p. 140.
27. Discurso, 18 de outubro de 1967.
28. Discurso, 8 de janeiro de 1989.
29. Discurso, 2 de setembro de 2002.
30. Guevara, E., O socialismo e o homem em Cuba, 1965, https://www.marxists.org/espanol/guevara/65-soceh.htm.
31. Guerra, D.; Concepção, M.; e Hernández, A. (ed.), José Martí no ideário de Fidel Castro, Havana, 2004, p. 86-87.
32. Guevara, E., Obras Escolhidas 1957-1967. Tomo 1, Havana, 1970, p. 494.
33. http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/2007/esp/f250807e.html.
34. Discurso, 2 de dezembro de 2001.
35. Por exemplo, Marx, K., Grundrisse der Kritik der Politischen Ökonomie (Rohentwurf), p. 77.
36. Na carta de despedida a seus pais, em 1966, escreve: “Outra vez sinto sob meus tacões o resfolegar de Rocinante, volto ao caminho com minha adaga no braço”. Guevara, Ernesto, op. cit., p. 693. Rocinante é o cavalo de Dom Quixote.
37. Jayatilleka, D. (2007), Fidel’s Ethics of Violence. The Moral Dimension of the Political Thought of Fidel Castro, Londres, p. 180.
38. Discurso, 16 de fevereiro de 1959.
39. Discurso, 1º de janeiro de 1979.
40. Discurso, 5 de fevereiro de 1987.
41. Discurso, 29 de março de 1959.
42. Discurso pronunciado na manifestação operária de Havana, 23 de março de 1959, http://lanic.utexas.edu/la/cb/cuba/castro.html.
43. Discurso, 29 de novembro de 1974.
44. https://www.ipu.org/parliament/cu.
45. Discurso, 17 de setembro de 1987.
46. Discurso, 8 de março de 1980.
47. Jayatilleka, D., op. cit., p. 185.
48. Citado em idem.
49. Reflexões do comandante em chefe. O império e a mentira, 11 de setembro de 2007; http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/2007/esp/f110907e.html.
50. Discurso, 14 de setembro de 1959.
51. Em 1958, ainda havia 6.000 médicos em Cuba. Depois da vitória, a metade deles foi para os Estados Unidos. Fitz, D., The 3,000 Who Stayed, Monthly Review, maio de 2016.
52. Eaffy, H., Cuba Sends Doctors, the US Sends Sanctions, Jacobin, 2025, https://jacobin.com/2025/03/cuba-medical-programs-us-sanctions.
53. Discurso, 26 de julho de 1978.
54. Discurso, 4 de abril de 1982.
55. Para a presença cubana na África, ver Gleijeses, Piero (2004), Missões em Conflito. Havana, Washington e África. 1959-1976, Havana.
56. Jayatilleka, D., op. cit., p. 106.
57. Silva Leão, A. (2003), Breve história da revolução cubana, Havana, p. 104.
58. The African Courier, 2016, https://www.theafricancourier.de/remembering-how-fidel-castro-and-cuba-helped-to-defeat-apartheid/.
59. https://www.unesco.org/en/safety-journalists/observatore/grid.
60. Gott, R. (2004), Cuba. A New History, New Haven, p. 298-299.
61. Castro, F. (1988), NBC Interview, 24 de fevereiro de 1988, Havana, p. 59.
62. Jayatilleka, D., op. cit., p. 6.
63. Discurso, 7 de novembro de 1993.
64. Discurso, 26 de julho de 1989.
65. Borge, T. (1992), Um grão de milho, Havana, p. 226.
66. Citado em Jayatilleka, D., op. cit., p. 149.
67. Kapcia, A., Cuba After The Crisis. Revolutionising the Revolution, em Conflict Studies, abril de 1996. Conflict Studies é um serviço de informação britânico que oferece conselhos ao mundo dos negócios do Reino Unido.
68. Discurso, 1º de maio de 2000.
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