O caricaturista do século XIX

A Devir Livraria acaba de lançar Angelo Agostini, a imprensa ilustrada da Corte à Capital Federal (1864-1910), de Gilberto Maringoni (256 págs., R$ 39,50) . Trata-se de uma alentada biografia analítica sobre um dos mais fascinantes personagens da história da imprensa brasileira.
Agostini (1843-1910) foi o principal artista gráfico da segunda metade do século XIX. Ao longo de quatro décadas, ele desenhou cerca de 3,2 mil páginas em uma dezena de publicações, com destaque para a Revista Illustrada, um dos mais importantes veículos do Império. O período marca a passagem da imprensa brasileira de sua etapa artesanal para sua fase industrial.
O livro de Maringoni, profusamente ilustrado, parte da vida e da obra do caricaturista para realizar um mergulho nas opções empreendidas pela maior parte do movimento abolicionista das camadas letradas do Brasil oitocentista. A conclusão não deixa de ser surpreendente: longe de se pautar apenas por um sentimento de solidariedade, tais setores tinham em mente um processo de modernização social conservadora. O ideal de “branqueamento” da sociedade, no qual o imigrante europeu entraria no mercado de trabalho e o negro seria relegado à sua própria sorte, tem sua expressão gráfica nas páginas da imprensa ilustrada do período.
O personagem
Italiano de nascimento, Agostini chegou ao Brasil em 1849 e exerceu as atividades de ilustrador, fotógrafo, pintor, empresário, editor, repórter, cronista e, sobretudo, de entusiasmado militante da causa abolicionista. Introdutor das histórias em quadrinhos entre nós, deixou como legado uma obra vasta, diferenciada e irregular.
Na orelha do livro, Flavio Aguiar ressalta que “Através do desenho, Agostini foi um cronista do Rio de Janeiro, no seu apogeu como Corte no Império e na sua passagem para ser a Capital Federal, assim como Machado de Assis o foi através da pena e Arthur Azevedo, do teatro”.
As quatro décadas de trabalho do artista-jornalista envolvem também o desaparecimento dos últimos marcos da economia colonial, possibilitando inserção subordinada do Brasil no mercado mundial.
(*) Divulgação da Carta Maior.

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