Na veia

A saudade é flor do mato
Difícil desvanecer
Cada vez que a gente arranca
No peito vem renascer.
Eu me rendo à força dela
Encolhido na janela
Para vê-la desfilar.
Quando toda envaidecida
Fingindo estar distraída
Começa a se desnudar.

Saudade por que não somes
Enquanto não me consomes
Nas noites de ventania?
Ou quando sem agasalho
Quase me encharco no orvalho
Desta madrugada fria?

Na rota do desatino
Os anos passam e em vão
Eu procurando blindar
Este pobre coração.
Mas numa veia delgada
A saudade impregnada
Em vias de sufocá-la.
Maldosamente ela a espreita
Que ao ficar mais estreita
Quase se rompe e se cala.

Martim Assueros, 9/11/2024

Imagem: Previva, sem data e sem crédito: https://www.previva.com.br/novosite/infartoentrejovens/

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