Mayra

Esse dia, voltara a pintar. Na verdade, pintara a lápis dois quadrinhos, um, de um jarrinho de flores, que intitulou “Flores para Mayra”, a moça que falecera na véspera, e um outro, talvez ainda em processo de acabamento, que são como umas nuvens, celestes com reflexos vermelhos e laranja, amarelo. Como se fossem as nuvens vistas desde um avião. Enquanto fazia estes quadrinhos, pensava que na verdade, os quadros já estavam em algum lugar. De fato, as formas, as cores, pareciam não ser arbitrárias, mas adequadas, necessárias. Agora, que voltara do enterro de Mayra, lembrava as cenas no cemitério, as conversas com as pessoas, as flores, o discurso de despedida, as palavras de quem agradecera os 23 anos passados ao lado da jovem que falecera. Tinha chovido, mas o tempo deu um tempo para que a moça voltasse para a terra. E quando isto acontecia, lembravas de outras mortes, outros enterros, uns em que não estiveste. E te perguntavas, como talvez todo mundo nessa tarde, no cemitério, quando seria a tua vez.

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