Não fazer nada da um trabalho!

Essa tarde, se dedicara a observar o quanto se pode fazer quando nada ha para fazer. Uma dessas ocasiões em que você tem que esperar. A sua esposa está no banco resolvendo pendências financeiras, e você, daqui para lá, tendo que se ocupar. E esse “tendo” já introduz algo como que uma obrigação. Nada disso. Sem ter o que fazer, você simplesmente se ocupa em nada fazer. Mas isto, meu caro ou minha cara, da um trabalho danado. Você vai para a banca de jornais e vê um gibi da Luluzinha, desses do tempo antigo. Folheia-o. Sente o que sentira quando pequeno, ao ler essas revistinhas. Vê uns livros de detetives na banca: Conan Doyle, etc. Observa a vitrine da farmácia da universidade. Vitaminas, remédios, um panfleto acusando o reitor de alguma coisa que não devia fazer ou ser. Gente indo de um lugar para outro.

E você, lembrando, vendo, imaginando, projetando. Vais para o correio, abres a caixa postal. Nada. Passas em frente da papelaria, perguntas por uma agenda. Agenda não, caderneta. Tem não. Tem mas acabou. Vês o livreiro do sebo, que te cumprimenta. Vês os ipés amarelos em frente da Biblioteca Central. Carros passando. Carros no estacionamento. Os jardins, a água regando as plantas, a grama verde. Sobes a escada que vai para a ADUF-PB. A sala com os computadores. E-mail de uma amiga. Respondes. O centro de estudantes. Uma fila. A capela ecumênica. Folheias os jornais na sala de leitura do sindicato. Tomas um cafezinho. Cumprimentas alguns colegas. E nisto o tempo vai passando. Uma hora e meia. Refletes sobre tantas coisas. O estado prévio, algo que irás desenvolver em algum outro momento. Aqui apenas relacionas as coisas feitas quando, nada tendo a fazer, passaste todo um tempo envolvido em diversos afazeres, diversas formas de não fazer nada.

 

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