
Presidente brasileiro defendeu a soberania nacional, criticou a imposição de tarifas, guerras, defendeu o PIX, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e disse que o Brasil ‘não cabe no quintal de ninguém’.
Por Kellen Barreto, g1 — Brasília /
Na ocasião, o presidente brasileiro defendeu a soberania nacional, criticou a imposição de tarifas, as guerras, defendeu o PIX, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.
Lula, que é candidato pelo PT à reeleição, ainda mencionou o pleito brasileiro, marcadas para 4 de outubro, e afirmou que o país vai escolher entre a democracia e o negacionismo.
Leia íntegra do discurso abaixo:

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York, em 22 de setembro de 2026. — Foto: ANGELA WEISS/AFP
Discurso de Lula na ONU
“Discurso do Presidente Lula na abertura da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas
Meus cumprimentos ao Presidente da Assembleia Geral, Embaixador Khalilur Rahman, de Bangladesh.
Saúdo cada um dos Chefes de Estado e de Governo e delegadas e delegados presentes.
Dirijo-me em particular ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
Ao longo de seus dois mandatos, António Guterres foi testemunha direta dos crescentes desmandos das superpotências.
Senhor Presidente,
Esta é a décima ocasião em que abro o Debate Geral desta Assembleia.
Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas.
O sentimento que me move hoje é o da indignação.
A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não têm exército, nem arsenais – nunca foi tão pequena.
Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez.
A esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.
Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais.
Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir.
Não desconheço as realidades do poder.
Mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites. Isso não é idealismo. É o mais puro realismo.

Lições de todo tipo podem e devem ser extraídas deste discurso que é um exemplo vivo de comunicação clara, direta e transparente, de quem não se acovarda diante das pressões de todo tipo que afrontam a humanidade e a democracia e a soberania. Lula continua sendo um exemplo vivo do que é possível e necessária a inteireza, a integridade, para poder ver e agir de maneira unificada e justa. Desmascara as mentiras e deformações que a negação da vida continua tentando impor a um mundo cansado de guerras, injustiça e menosprezo pela pessoa humana e sua dignidade.