Escuta de si*
Este meu escrito tem vindo e continua a vir a mim nestes dias
Tenho-o acolhido e lhe presto atenção a ver o que é que me diz
Me diz para me escutar, de fato, e me acolher
Andar ao meu ritmo
Continuar tentando respeitar o ser que sou
Descansar. Pausar. Parar. Não andar no automático
Saber que há um lugar para mim dentro de mim mesmo e no mundo
É um só e o mesmo lugar
Dentro de mim e no mundo
Não há dois eus
Um só
Eu.
Quando sou eu, não há conflito, ou os conflitos que porventura existirem, se orientam e ordenam em volta do meu ser central, meu sol central.
Tenho um só centro, é o meu sonho de antes de nascer, renovado em várias circunstâncias, que não preciso detalhar. Basta dizer que se trata do sentido da minha vida.
O que estou tentando aqui expressar, pode ser lido nas palavras de Jesus: “Eu sou a luz do mundo, assim, se vocês me seguirem, não tropeçarão com vosso pé em pedra, porque sobre os vossos caminhos se derramarão rios de luz viva.”
A minha vida é comunitária, é unificada, integrada. O que sou e o que faço tendem a ser uma única e a mesma coisa. Quem me fez e me faz saber disto, é gente que me lê nestas páginas da revista Consciência.
Esta revista é a minha própria luz. Aqui nasci de novo, e continuo a nascer. Por isso sigo aqui. Sou o mesmo que fui desde antes de nascer e em cada etapa deste meu caminho já longo. O que me traz alguma satisfação. Sabendo que a construção continua. A vida continua. E é sempre solidária. Criativa.
Cada vez tenho mais noção do ser que sou. Isto faz do meu existir um algo com um quê de vitória. Estou inteiro. Continuo inteiro. E o fato de existir em sociedade não me obriga a me cancelar. Ao contrário, me valida. Sou validado por ser quem sou e por ser como sou.
Validação de mim. Sentimento de mim. Noção de mim. Lugar de mim. Consciência de mim, de ser e existir num mundo que também vem se buscando a si mesmo. Um mundo em que as ações e visões de um Lula da Silva e um Papa Francisco vem mostrando que a humanização continua sendo um horizonte viável.
E neste contexto, não posso menos que destacar o quanto me alegra que a Terapia Comunitária Integrativa esteja hoje incluída no Sistema Único de Saúde, na Atenção Primária em Saúde. Isto significa que toda pessoa em todo o território nacional, pode ter acesso a esta prática de recuperação da sua própria identidade.
Para minha alegria e de muita outra gente também, a Terapia Comunitária Integrativa encontra-se também amplamente enraizada e expandida por todo o mundo hispânico e além. Ou seja, a humanização vem avançando lenta, mas firmemente, pela raiz, pelas bases, em comunidade.
Ninguém está condenado(a) a sofrer indefinidamente, a ser uma pessoa excluída, alheia a si mesma, objeto de exploração, abuso, humilhação, afrontas de todo tipo. Há um lugar. Muitos lugares onde você pode se refazer. Um deles é a roda da Terapia Comunitária Integrativa. E você pode ter aceso a esta ferramenta de recuperação da sua pessoa integral, sem sair de casa, ou presencialmente.
Visite o site da ABRATECOM-Associação Brasileira de Terapia Comunitária Integrativa e encontre uma roda de TCI on line no dia e hora da sua conveniência. E ali encontrará também informações sobre rodas de TCI nos países de fala hispânica. Vamos que vamos! A vencer!
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*In: Libertatura (João Pessoa: Editora A União, 2014, p. 80)

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
