Flávio quer aposentadoria aos 67 anos e desvincular benefícios do salário mínimo

Foto: Alexandre Ywata e Anne Caroline Marciquevik Alves. Crédito: reprodução ICL Notícias

Fundação que participou de um plano com propostas de mudanças na Previdência mantém dois diretores na equipe econômica de Flávio.

Dois integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupam cargos de direção na Fundação Internacional para a Liberdade (FIL Brasil), entidade que participou da elaboração de um plano com propostas de mudanças na Previdência Social. O documento prevê elevar gradualmente a idade mínima de aposentadoria para 67 anos, independentemente do sexo, e desvincular o piso previdenciário do salário mínimo.

Anne Caroline Marciquevik Alves e Alexandre Ywata passaram a integrar a campanha em julho e agosto, respectivamente. Ambos constam como diretores da fundação desde abril de 2024. A entidade participou da construção do Projeto Brasil de Amanhã, apresentado a Flávio durante encontro com empresários em São Paulo.

A relação entre a fundação e a campanha chama a atenção porque o candidato tem declarado que não pretende promover uma nova reforma previdenciária e promete preservar os benefícios dos aposentados. A participação da FIL Brasil no projeto, entretanto, levanta dúvidas quanto às reais intenções do candidato.

Mudanças podem ampliar exigências para aposentadoria

O Projeto Brasil de Amanhã propõe uma transição gradual para estabelecer a idade mínima de 67 anos para homens e mulheres. Atualmente, as regras gerais preveem idades mínimas de 65 anos para homens e 62 para mulheres, além de outros critérios de contribuição e transição.

Outra medida é desvincular o piso das aposentadorias do salário mínimo. A mudança poderia alterar a garantia de que benefícios previdenciários substitutivos da renda do trabalho não sejam inferiores ao mínimo nacional. Também poderia reduzir, ao longo do tempo, os ganhos reais dos aposentados caso os benefícios deixassem de acompanhar os aumentos reais concedidos ao salário mínimo. E o documento ainda sugere revisar critérios do Bolsa Família.

Paulo Guedes participou da construção da agenda

A elaboração do projeto contou com o Instituto de Economia Gastão Vidigal, ligado à Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em parceria com a FIL Brasil. O presidente da associação, Alfredo Cotait Neto, afirmou ao Broadcast, do Estadão, que a agenda foi construída com participação do ex-ministro da Economia Paulo Guedes.

Guedes presidiu o Ministério da Economia durante o governo Jair Bolsonaro e defendeu discussões sobre a desindexação de despesas públicas. Em 2022, sua equipe estudou alterar o mecanismo de correção do salário mínimo e dos benefícios previdenciários, com a possibilidade de utilizar projeções de inflação. Uma estimativa inferior à inflação efetiva poderia resultar em perda de poder de compra.

Propostas fiscais também circulam entre aliados

O debate sobre mudanças previdenciárias voltou a aparecer entre interlocutores econômicos de Flávio. Em março, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha e ex-secretário de Previdência e Trabalho, defendeu revisitar parâmetros do sistema.

Também foram relatadas discussões sobre limitar os reajustes de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) à inflação, sem acompanhar os aumentos reais do salário mínimo. A campanha, porém, afirmou que conversas internas não representam propostas oficiais.

Flávio votou a favor da reforma da Previdência de 2019, que endureceu regras para a concessão de benefícios. Apesar desse histórico e das propostas debatidas por pessoas próximas à sua equipe, não há confirmação de que o candidato tenha aprovado a elevação da idade mínima para 67 anos ou a desvinculação do piso previdenciário.


* Redator: Solon Saldanha | Fonte: RED – Rede Estação Democracia | Publicado em 17 de outubro de 2026 às 10:30 | Editado em 17 de outubro de 2026 às 9:26

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