Eis a questão: jogar para plateia ou resistir

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Antes de ingressar no assunto das eleições para a presidência da Câmara, vou contar um episódio que ocorreu no Campeonato Brasileiro há alguns anos atrás. A partida era disputada entre um forte candidato ao título e outro, sem chances alguma.
Segundo tempo rolando, o time, sem pretensões ao título, pressionava incessantemente. O técnico do time que brigava pela taça, nervosíssimo, aproxima-se do preparador físico e pede ajuda: “Está difícil resistir ao ataque adversário. Precisamos mudar para resistir. Coloco quem?”.
O preparador físico, extremamente competente tecnicamente, não titubeia: “Coloca o Durvalzinho, que mesmo tendo pouca expressão, tem treinado muito bem”.
Na verdade, o técnico não queria conselho algum. Queria apenas que o preparador tivesse a mesma opinião que ele e fortalecesse sua convicção. Como não teve, acabou sendo retrucado com veemência:
“Você tá maluco?! A torcida tá aqui atrás e quer ver resultado. O cara tá indo bem, mas nunca resolveu nada. Chama o Tirulipa, que treina pouco, mas pode resolver.”.
E assim, o técnico que entendia muito mais de gente do que de futebol, mais uma vez, acertou: Tirulipa entrou, atrapalhou o ataque adversário e segurou o resultado.
Conto essa história, pois ela se assemelha ao momento atual do PT que se divide entre jogar para plateia, apoiando a candidatura de Erundina apoiar Marcelo Castro, tumultuando o cenário dos golpistas ou lança candidatura própria.
Erundina, enquanto nem o PT e nem PC do B tinham lançado candidatura, era, moralmente, a melhor candidata.Mas, além de ter poucas chances, vem demonstrando que o seu compromisso é puro e exclusivo com a ascensão do seu partido, o PSOL. A prova cabal é o lançamento de sua candidatura à prefeitura de São Paulo, que poderá prejudicar e muito a situação de Haddad. E nisso, percebe-se a falta de sensibilidade que se tem com a crescente polarização do país, que corre sérios riscos de sofrer um tenebroso retrocesso e uma guinada fascista. Além disso, não ter lançado Jean Willys, eleito algumas vezes como melhor parlamentar, confirma que o projeto não é bem vencer na Câmara.
O mesmo acontece no Rio de Janeiro, com duas frentes de esquerda saindo divididas para próximo pleito. Além de colocar em risco a ausência de uma candidatura de esquerda no segundo turno, aumenta as chances dos candidatos de direita. Quem pagará a conta é a população.
Voltando à Câmara, a candidatura de Marcelo Castro, sem dúvidas, não é a opção ideal. Além de pertencer ao PMDB, o candidato pode ter fechado sua cota de boas ações votando contra o golpe. Mas, tendo em vista as chances de vitória e o possível desgaste no lado golpista, a opção pode ser vista com bons olhos.
Seria mais uma jogada pragmática do PT, que sem dúvidas poderá aumentar o mal estar da legenda diante da sociedade. Mas é o jogo de quem tem responsabilidade, de quem precisa barrar o golpe e criar uma situação de governabilidade, caso Dilma retorne.
Jogar para a plateia, infelizmente, não irá resolver em nada. O ideal, seria uma aliança madura de todo o bloco de esquerda e centro, que não aceita a situação escorchante que se encontra o país. Mas, pelo visto, essa maturidade ainda é pequena diante de tanto purismo, ego e projetos pessoais.

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